Francis Campelo / Fhemig
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Hospital da Fhemig participa de estudo nacional para melhorar diagnóstico e tratamento da tuberculose em crianças

O Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), está participando de um estudo nacional para melhorar o diagnóstico e tratamento da tuberculose em crianças. Este hospital é o único em Minas Gerais e um dos primeiros no Brasil a integrar o estudo TBPed, com 150 amostras, visando reduzir a subnotificação e aumentar o tratamento da doença em pacientes pediátricos de até 15 anos.

De acordo com informações do g1, a participação do HIJPII representa 11,6% do total de 1.288 crianças hospitalizadas que fazem parte da pesquisa. A pneumologista Chalene Guimarães Soares Mezêncio, coordenadora do Serviço de Alergia e Pneumologia Pediátrica do hospital, explica que os pacientes não tinham diagnóstico ou suspeita de tuberculose e estavam internados para tratar infecções respiratórias. Amostras foram coletadas para exames específicos, ainda não usados rotineiramente na prática clínica.

Segundo a especialista, a detecção da tuberculose em crianças é complicada, pois a doença pode ser confundida com infecções respiratórias recorrentes, especialmente em certas épocas do ano. A suspeita é essencial, pois crianças que adoecem frequentemente podem estar com a enfermidade causada pelo bacilo de Koch.

Tecnologia e Avanços

Iniciada em 2021, a pesquisa envolve 22 centros em diversos estados brasileiros, incluindo o HIJPII, que começou a coletar amostras em fevereiro de 2022. O recrutamento de pacientes foi encerrado em março deste ano, e os resultados do estudo devem ser divulgados no próximo ano. Dados preliminares indicam que a prevalência da tuberculose em crianças e jovens é maior do que se pensava.

O estudo é financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre. Com a participação no estudo, o HIJPII recebeu o sistema GeneXpert, que realiza o teste rápido molecular (TRM) para detectar o bacilo da tuberculose.

O exame foi incorporado à prática assistencial do hospital, com a equipe treinada para a coleta do escarro induzido da criança. O GeneXpert detecta a presença do bacilo de Koch em duas horas e identifica a resistência a um dos principais antibióticos usados no tratamento.

Em 2022, foram registrados 81 mil novos casos de tuberculose no Brasil e mais de 10 milhões no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 25% da população mundial pode estar infectada. A tuberculose é transmitida pelo ar, e uma pessoa sem tratamento pode infectar até outras dez. O tratamento é gratuito e realizado pelo SUS, sendo necessário segui-lo rigorosamente por seis meses para alcançar a cura.

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