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Vale do Peruaçu pode se tornar o primeiro Patrimônio Natural de Minas reconhecido pela Unesco

Minas Gerais pode alcançar um marco inédito neste fim de semana: o Vale do Peruaçu, localizado no Norte do estado, pode ser reconhecido como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade pela Unesco. A candidatura será avaliada durante a 47ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, que ocorre até 16 de julho na sede da Unesco, em Paris. A previsão é que a decisão sobre o Peruaçu seja anunciada no sábado (12) ou domingo (13).

Se aprovado, este será o primeiro título de Patrimônio Mundial Natural para Minas Gerais, que já possui quatro patrimônios culturais reconhecidos: Ouro Preto, Congonhas, Diamantina e Pampulha. Além disso, será a segunda conquista consecutiva do estado junto à Unesco, após o reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial em 2024.

De acordo com informações do Governo de Minas, a candidatura do Vale do Peruaçu é fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), o Governo do Brasil, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco.

Localizado entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é um dos mais notáveis sítios naturais e arqueológicos do Brasil, com cânions e cavernas monumentais, incluindo mais de 500 formações catalogadas. O local abriga a estalactite Perna da Bailarina, de 28 metros, arte rupestre com mais de 12 mil anos, e ecossistemas variados como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, além de comunidades tradicionais e indígenas, como o povo Xacriabá.

Impacto no Turismo

A chancela da Unesco ao Vale do Peruaçu pode transformar o turismo no Norte de Minas Gerais. A expectativa é de um aumento significativo na visitação nacional e internacional, impactando diretamente na geração de emprego e renda nos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, além de toda a região do Médio São Francisco.

Estudos comparativos com outros sítios reconhecidos pela Unesco no Brasil indicam um crescimento de até 30% no fluxo turístico nos primeiros três anos após a titulação. Isso inclui maior permanência média, atração de investimentos em infraestrutura, fomento ao turismo de base comunitária e valorização dos modos de vida tradicionais.

O título deverá consolidar o Peruaçu como um destino de turismo arqueológico, cultural, indígena e ecológico. O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira, destacou a importância do reconhecimento: “Minas é terra de memória, de pedra e de gente. Em menos de dois anos, os nossos queijeiros e queijeiras, com seus modos de fazer passados de geração em geração, e as comunidades do Norte de Minas, guardiãs do Vale do Peruaçu, colocaram o estado no centro do mapa mundial do patrimônio.”

Ele completou: “O reconhecimento do Peruaçu pela Unesco será também um marco para o turismo sustentável de Minas. Significa atrair o mundo para conhecer nossos biomas, nossas tradições e nossa paisagem sagrada. O turismo, aqui, é parte da preservação.”

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