O Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), está promovendo melhorias na qualidade dos queijos artesanais nas regiões mineiras de Alagoa, Mantiqueira, Serras de Ibitipoca e Campo das Vertentes. Este projeto, aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), está em vigor desde 2022 e atende 91 queijarias.
De acordo com a Epamig, o projeto intitulado “Monitoramento da qualidade de queijos artesanais de Minas Gerais e capacitação de técnicos e produtores visando agregação de valor e competitividade” busca aproximar pesquisadores e produtores. “O trabalho busca aproximar pesquisadores e produtores em uma interface entre pesquisa e extensão”, explica Junio de Paula, coordenador do projeto.
O projeto acompanha todas as etapas do processo produtivo, desde a coleta de amostras de leite, queijo, soro-fermento, água e salmoura, até a realização de análises físico-químicas e microbiológicas. Além disso, são aplicados questionários para levantamento de demandas, proposição de melhorias e reavaliação após a implementação das medidas sugeridas.
Impacto nas Queijarias
Junio de Paula destaca que os produtos já são de boa qualidade e o objetivo é aprimorá-los sem alterar suas propriedades únicas. “Pelo projeto, o produtor obtém, gratuitamente, o laudo de cada item analisado, junto com detalhamentos e indicações do que pode ser melhorado”, afirma.
Letícia Scaffuto, pesquisadora bolsista, relata que os participantes já percebem melhorias. “Temos recebido retornos de produtores sobre o aumento na procura e no preço de venda dos queijos”, destaca.
O produtor Jayme Porfírio Mendes, de Alagoa, que venceu a medalha Super Ouro do Concurso Internacional da ExpoQueijo 2025, utilizou os resultados das análises para obter a certificação Selo Arte. “A pesquisa tem sido muito importante para nos dar uma noção do que precisamos melhorar”, informa.
Em 2024, Maria Elisa de Almeida, de Lima Duarte, conquistou a medalha Super Ouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil, em São Paulo, com o requeijão em barra Lírio Branco, produzido a partir de estratégia proposta pela Epamig ILCT.
Junio de Paula ressalta a importância do trabalho coletivo que envolve a Emater-MG, Senar, universidades parceiras, Serviços de Inspeção Municipal e associações de produtores. “A gente se sente parte desses prêmios, porque fizemos as análises e despertamos nesses produtores a consciência sobre cada aspecto do produto deles”, conclui.
