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Museu da Inconfidência e Polícia Federal investigam manuscritos atribuídos a Tiradentes

O Museu da Inconfidência, em parceria com a Polícia Federal, está investigando a autenticidade de manuscritos atribuídos a Tiradentes. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) entregou ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, o livro Recueil des Loix Constitutives des États-Unis de l’Amérique, conhecido como Livro do Tiradentes. O objetivo é realizar exames grafológicos para verificar se as anotações no livro são de autoria de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

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De acordo com informações da Agência Brasil, essa ação é fruto de uma colaboração entre o Ibram e a Polícia Federal, visando aprofundar a pesquisa histórica sobre este documento significativo do acervo brasileiro. O diretor do museu, Alex Calheiros, destacou a importância do livro, que contém leis constitutivas dos Estados Unidos, influentes na Inconfidência Mineira. “Há indícios nos Autos da Devassa de que Tiradentes fazia anotações neste exemplar”, afirmou Calheiros.

A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, ressaltou que o exame não se limita à confirmação de autoria, mas também reforça o compromisso com a preservação da memória histórica do Brasil. “Confirmar a caligrafia de Tiradentes neste livro é como escutar sua voz mais uma vez”, disse Castro.

Uma peça histórica transatlântica

O Recueil faz parte da seção de obras raras da biblioteca do Museu da Inconfidência. Publicado entre 1776 e 1789, o livro foi considerado “proibido” na época e é citado nos Autos da Devassa, processo que incriminou os inconfidentes. O historiador Kenneth Maxwell descreve o livro como central na história da Conjuração Mineira. O exemplar esteve com Tiradentes durante sua prisão e contém anotações que, segundo relatos, foram feitas por ele.

Após ser anexado aos Autos da Devassa, o livro passou décadas na Biblioteca Pública de Florianópolis antes de retornar ao acervo do Museu da Inconfidência na década de 1980. O diretor Alex Calheiros enfatiza o valor da análise pericial: “Se confirmada a autoria das anotações, o valor histórico, patrimonial e afetivo do bem se eleva enormemente”.

A Polícia Federal já protocolou o exemplar e iniciará os exames técnicos. Os resultados serão comunicados ao Ibram e ao Museu da Inconfidência, integrando futuras ações de preservação, exposição e pesquisa do livro.

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