A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação “Rejeito” nesta quarta-feira (17/9), revelando um esquema de mineração ilegal em Minas Gerais que envolve órgãos ambientais. De acordo com O TEMPO, a investigação aponta que empresários mantinham extrações em áreas protegidas, como a serra do Curral, em Belo Horizonte, e a serra de Botafogo, em Ouro Preto, com a colaboração de servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Durante a operação, 20 mandados de prisão foram cumpridos, resultando em 15 prisões e dois foragidos. Entre os detidos estão Alan Cavalcante, proprietário da Fleurs Global Mineração, João Alberto Lages, ex-deputado estadual, e Helder Adriano, apontado como diretor operacional do esquema. A PF detalha que a investigação começou em 2020, como desdobramento da operação “Poeira Vermelha”, que investigava extração irregular de minério pela empresa Gute Sicht na serra do Curral.
Envolvimento de Servidores Públicos
O esquema criminoso contava com a participação de servidores públicos que recebiam propinas para facilitar a continuidade das atividades ilegais. Entre os investigados estão Rodrigo Gonçalves Franco, ex-presidente da FEAM, Vitor Reis Salum Tavares, Débora Maria Ramos do Nascimento França e Fernando Benício de Oliveira Paula. A organização utilizava mais de 42 empresas para dissimular a origem dos bens e dificultar o rastreamento financeiro, com um potencial econômico dos projetos minerários superior a R$ 18 bilhões.
Em Brasília, a operação resultou na prisão de Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da ANM, e Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da PF em Minas. As investigações apontam Jamis Prado de Oliveira Junior e Felipe Lombardi Martins como responsáveis pelo pagamento de propinas, sendo Lombardi conhecido como “homem da mala”.
Os pagamentos eram realizados mensalmente ou por empreendimento minerário liberado. A Semad e o governo de Minas ainda não se manifestaram sobre a operação. A ANM afirmou não ter sido oficialmente comunicada pela PF, mas reiterou seu compromisso com a legalidade e a transparência.
Entre os projetos minerários do grupo criminoso estão a Fleurs Global Mineração Ltda., o Projeto Taquaril, o Projeto Rancho do Boi, o Projeto Mina Patrimônio, o Projeto HG Mineração e o Projeto AIGA Mineração. Esses projetos envolvem exploração sem licenciamento adequado, uso de documentos falsificados e coação de servidores para alterar interpretações legais.
