Minas Gerais passa a oferecer teste genético para detecção precoce de câncer de mama em mulheres com histórico familiar da doença. O exame, que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, será disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e aplicado mediante prescrição médica. A iniciativa foi anunciada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD) no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte, nesta terça-feira (28/10).
De acordo com o Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico da SES-MG, o estado registrou 6.907 novos casos de câncer de mama em 2024 e 2.767 em 2025. Segundo Simões, apenas um terço das pacientes é diagnosticado em fase inicial, o que reduz as chances de cura. “Dois terços dos casos de câncer de mama são diagnosticados em fase tardia no SUS. Precisamos chegar ao diagnóstico precoce em quase 100% dos casos”, afirmou.
Os testes serão realizados por meio de convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que também promoverá capacitações e discussões de casos clínicos com médicos e enfermeiros, especialmente por meio do Telessaúde. A expectativa é que 2.000 mulheres tenham acesso ao exame anualmente, com investimento de R$ 1,1 mil por teste, totalizando mais de R$ 9,8 milhões em recursos.
Como funcionará o teste genético
As mulheres selecionadas para o exame serão submetidas à coleta de amostra de sangue ou saliva, sem necessidade de jejum. O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo. Um laudo positivo não significa o desenvolvimento da doença, mas indica um risco aumentado que requer acompanhamento contínuo.
Além do diagnóstico genético, o SUS garante todas as modalidades de tratamento, como cirurgias, reconstrução mamária, quimioterapia, radioterapia, hormonoterapia e terapias-alvo, conforme o tipo e o estágio da doença. Os casos suspeitos serão encaminhados pelas Secretarias Municipais de Saúde às Comissões Municipais de Oncologia, responsáveis por organizar o atendimento nos hospitais habilitados.
Ampliação da mamografia
O vice-governador também anunciou a ampliação do acesso à mamografia no SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. A idade mínima, que antes era de 50 anos, foi reduzida, e a idade limite passará de 69 para 74 anos. “Decidimos que o governo vai custear o exame para todas as mulheres a partir dos 40 anos. Basta comparecer ao posto de saúde e solicitar a marcação, sem necessidade de recomendação médica”, disse Simões.
Durante o anúncio, o Governo do Estado confirmou o repasse de R$ 77 milhões para a aquisição de mamógrafos digitais destinados aos municípios, beneficiando 62 instituições em 45 cidades. Atualmente, Minas Gerais conta com 32 hospitais habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), quatro Centros de Assistência de Alta Complexidade (Cacon) e um hospital geral com cirurgia oncológica de alta complexidade.
