**Francia Márquez discute contribuições afrodescendentes na academia**
A vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez, defendeu a valorização dos saberes africanos e a transformação estrutural das universidades para combater o racismo e as desigualdades históricas. A fala ocorreu durante conferência na Escola de Engenharia da UFMG, em 14 de novembro, como parte do II Seminário Internacional Pró-Reparações.
De acordo com a vice-presidenta, a Constituição colombiana só reconheceu os direitos coletivos da população negra em 1991, mais de um século após a abolição da escravidão. Ela criticou a demora na regulamentação desses direitos e afirmou que o Estado ainda nega o reconhecimento das violências históricas contra afrodescendentes.
Francia Márquez citou iniciativas do governo colombiano, como o Sistema Nacional de Cuidados, que visa reparar o trabalho não remunerado de mulheres negras, além de políticas ambientais e de fortalecimento cultural. Ela também destacou a agenda de reconexão com a África e a criação da Comissão Nacional de Reparações Históricas.
A vice-presidenta mencionou diálogos com o Vaticano sobre reparações e espiritualidade africana, interrompidos após a morte do Papa Bento XVI. Ela convidou a comunidade acadêmica da UFMG para a Cúpula Celac, que ocorrerá na Colômbia em março de 2025.
Reparação e protagonismo negro
A pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFMG, Licínia Corrêa, afirmou que a presença negra na universidade é resultado de lutas coletivas. Ela destacou as cotas raciais como forma de reparação histórica e enfatizou a necessidade de descolonizar o conhecimento acadêmico.
Diva Moreira, coordenadora do coletivo Minas Pró-Reparações, propôs que a UFMG adote o engenheiro André Rebouças como patrono da Escola de Engenharia. Ela criticou o sucateamento das humanidades e defendeu uma educação baseada no pensamento crítico e nas ideias de Paulo Freire.
O vice-reitor Alessandro Fernandes reforçou o compromisso da UFMG com políticas antirracistas e a valorização de diferentes formas de conhecimento. Ele destacou que o Novembro Negro não deve se restringir a datas simbólicas, mas influenciar currículos e práticas institucionais.
O Seminário Internacional Pró-Reparações debateu políticas para povos negros e indígenas, com participação de ativistas, acadêmicos e autoridades. A programação incluiu painéis, intervenções artísticas e discussões sobre reparação racial no Brasil e na diáspora africana.
*Foto: Raphaella Dias | UFMG*
