Docentes negros da UFMG formam coletivo para promover inclusão e diversidade

**Docentes negros da UFMG formam coletivo para promover inclusão e diversidade**

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Professores negros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criaram o Coletivo de Docentes Negros, um espaço de diálogo e fortalecimento para enfrentar desafios comuns e promover representatividade na instituição. Atualmente, o grupo reúne cerca de 70 integrantes.

De acordo com dados da UFMG, apenas 18% dos professores da universidade se declaram pretos ou pardos, totalizando aproximadamente 550 docentes. No entanto, nem todos se identificam como negros ou participam do coletivo.

Rodrigo Ednilson de Jesus, professor da Faculdade de Educação e uma das lideranças do grupo, explica que o objetivo é ampliar a visibilidade e a articulação entre os docentes negros. “Ainda somos muito poucos dentro da universidade. Muitos de nós se sentem invisíveis ou isolados em suas unidades”, afirma.

Sub-representação e políticas afirmativas

Ana Luiza Moraes dos Santos, professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem, é uma das duas docentes autodeclaradas pretas em seu departamento. Ela destaca a importância das políticas afirmativas para aumentar a diversidade.

“Às vezes, eu não me sinto pertencente ao ambiente por falta de representatividade. A ampliação dessas políticas pode permitir que mais pessoas negras ingressem na carreira acadêmica”, afirma Ana Luiza.

Ela também ressalta o impacto da presença de docentes negros para os alunos: “Nossa inserção representa acolhida e identificação para os estudantes”.

Espaços de fortalecimento e troca de saberes

O coletivo busca criar ambientes de apoio, inspirados no conceito de “quilombos” contemporâneos. Rosy Mary dos Santos Isaias, professora do Departamento de Botânica, destaca a importância da união.

“Formar esses espaços nos fortalece e permite pensar em estratégias transversais para enfrentar o racismo na academia”, afirma Rosy, que é a primeira mulher negra bolsista nível 1A do CNPq.

Rodrigo Ednilson reforça que os docentes negros trazem consigo conhecimentos além da formação acadêmica. “Nossa biblioteca ancestral inclui vivências em comunidades, terreiros e manifestações culturais, que também nos educam”, explica.

Atividades e perspectivas futuras

Durante o Novembro Negro, o coletivo promoveu o projeto *Um(a) mestre(a) por dia*, destacando trajetórias de professores negros da UFMG. A ideia é organizar uma exposição física com esses perfis.

Ana Luiza também realizou a atividade *Gira G1*, discutindo nutrição sob uma perspectiva afro. “Foi um marco trazer esse debate para a universidade, onde antes não existia”, diz.

O coletivo planeja ampliar suas ações para construir uma universidade mais antirracista. “Se a população negra representa 56% da sociedade, esse percentual deveria refletir no quadro docente”, conclui Ana Luiza.

A próxima atividade do grupo será uma roda de conversa sobre estéticas epistêmicas dos docentes negros, no dia 28 de novembro, no CAD 2.

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