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Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) investigam a transmissão da salmonelose septicêmica de bovinos para humanos. O estudo, conduzido pela Escola de Veterinária, analisou amostras da bactéria Salmonella enterica sorovariedade Dublin, responsável por alta mortalidade em animais e possível contaminação em pessoas.
De acordo com o professor Rodrigo Otávio Silveira Silva, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, a pesquisa começou após a identificação de um aumento de casos em bovinos. A equipe observou resistência a antibióticos e similaridade genética entre bactérias encontradas em animais e humanos.
O estudo comparou sequências genômicas de amostras de rebanhos contaminados com registros de infecções em humanos. Os resultados sugerem que a transmissão ocorre por meio de alimentos de origem animal, como carne mal passada ou leite não pasteurizado.
Riscos e medidas preventivas
Rodrigo Otávio alerta que a bactéria pode estar presente em produtos como carpaccio ou queijos artesanais. O cozimento adequado da carne e a pasteurização do leite são medidas essenciais para reduzir o risco de contaminação.
Nos bovinos, a Salmonella Dublin pode causar infecções graves, com mortalidade de 50% entre os animais sintomáticos. A principal forma de disseminação entre rebanhos é a compra de animais contaminados, segundo os pesquisadores.
A equipe trabalha no desenvolvimento de métodos de diagnóstico por meio de exames de sangue ou fezes. Atualmente, a identificação da bactéria é complexa, o que dificulta a garantia de animais livres da doença.
Próximas etapas da pesquisa
Os pesquisadores investigam agora a transmissão da bactéria de vacas para bezerros recém-nascidos. A hipótese é que a contaminação ocorra nas primeiras mamadas, por meio do colostro.
O estudo será publicado na Revista Microbiol Spectrum e conta com a participação de pesquisadores da UFMG e da PennState University. O objetivo é desenvolver estratégias para reduzir a transmissão da doença em rebanhos bovinos.
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