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Uma pesquisa realizada com idosos residentes em áreas urbanas no Brasil identificou que 34,09% apresentam sintomas depressivos. Entre as mulheres, a prevalência chega a 43,8%, quase o dobro da registrada entre os homens (24,5%). Os dados são parte de um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da UFMG.
De acordo com a pesquisa, que analisou dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil), fatores como desordem física no bairro, poluição sonora e violência estão associados a maiores índices de sintomas depressivos. O estudo entrevistou mais de 7 mil pessoas com 50 anos ou mais entre 2015 e 2016.
Idosos que relataram desordem no entorno ou consideraram o bairro desagradável apresentaram prevalência de sintomas depressivos de 22% e 24%, respectivamente. Entre vítimas de furto, roubo ou invasão domiciliar, o índice foi de 31%. A percepção de ruído no ambiente também elevou a prevalência para 27%.
Diferenças por gênero e renda
O estudo também analisou a coesão social, definida como o senso de comunidade e confiança entre vizinhos. Idosos que não perceberam essa característica no local onde vivem tiveram prevalência de 26% para sintomas depressivos. A insegurança no bairro afetou principalmente mulheres, com impacto de 12%.
Adultos mais velhos negros, pardos e com menor renda relataram com maior frequência problemas como desordem física, insegurança e falta de coesão social. Segundo o pesquisador Pablo Roccon, esses resultados indicam que esses grupos vivem em vizinhanças com piores condições físicas e sociais.
A pesquisa utilizou dados da linha de base do Elsi-Brasil, um estudo nacional representativo sobre a saúde da população idosa no país. O trabalho foi defendido como tese no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG.
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