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O governo federal lançou nesta terça-feira (09/12) um painel inédito para monitorar gastos públicos relacionados a clima, biodiversidade e gestão de riscos e desastres. A ferramenta, desenvolvida em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), reúne dados de investimentos federais entre 2010 e 2023, totalizando R$ 782 bilhões.
De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), o painel permite classificar despesas em três categorias: mudança climática (R$ 421 bilhões), biodiversidade (R$ 250 bilhões) e gerenciamento de riscos (R$ 111 bilhões). O sistema também diferencia gastos com impactos positivos e negativos no meio ambiente.
Annette Killmer, chefe da Representação do BID no Brasil, afirmou que a iniciativa combina gestão fiscal e agenda ambiental. “É um passo importante para um futuro mais resiliente”, disse.
Segundo Elaine de Melo Xavier, subsecretária do MPO, antes o governo “tateava no escuro” por falta de dados unificados. O novo sistema deve auxiliar na formulação de políticas como o Plano Clima e a análise de riscos fiscais ambientais.
Mudança no perfil de gastos
O relatório mostra que os investimentos em clima caíram após 2015, influenciados pelo ajuste fiscal e pela redução de recursos para o PAC. Marcio Luiz de Albuquerque Oliveira, secretário-executivo adjunto do MPO, destacou que os gastos com adaptação climática subiram de 24% para quase 70% no período.
Na área de biodiversidade, o estudo identificou que despesas com impactos negativos superaram as positivas. A construção de hidrelétricas, por exemplo, gera energia limpa, mas pode prejudicar ecossistemas locais.
Os recursos para gestão de desastres aumentaram, com ênfase em medidas reativas a eventos extremos. Seguros rurais, como o Proagro, tornaram-se parte significativa dessas despesas.
Disponibilidade dos dados
A metodologia foi desenvolvida ao longo de dois anos com participação de ministérios e organizações da sociedade civil. O painel interativo e o relatório completo estão disponíveis no site do MPO.
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