**Campanha contra feminicídio nos aeroportos é lançada pelo Ministério de Portos e Aeroportos**
O Ministério de Portos e Aeroportos iniciou, nesta segunda-feira (22), a campanha “Assédio Não Decola, Feminicídio Também Não” nos aeroportos brasileiros. A ação visa reforçar o combate à violência contra as mulheres no setor aéreo e integra a segunda fase da campanha “Assédio Não Decola”, lançada em maio deste ano.
De acordo com o Ministério, a iniciativa inclui peças de conscientização, prevenção e orientação, direcionadas a profissionais da aviação e passageiros. O lançamento ocorreu no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com a presença do ministro Silvio Costa Filho.
Durante o evento, o ministro destacou a importância dos aeroportos como locais estratégicos para a campanha. “São espaços de grande movimentação, onde podemos sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de denunciar casos de violência”, afirmou.
A campanha é realizada em parceria com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Associação Brasileira das Concessionárias de Aeroportos (ABR). O objetivo é orientar trabalhadores, empresas e passageiros sobre os canais de denúncia e apoio disponíveis.
Envolvimento de toda a cadeia aérea
Ana Mota, gerente do Programa Mulheres na Aviação da Anac, ressaltou que a iniciativa busca promover respeito e dignidade no setor. “Nenhuma forma de violência pode ser naturalizada. A aviação deve ser um ambiente seguro para todas as mulheres”, disse.
A campanha incluirá vídeos e cartazes nos terminais, divulgando canais como o Ligue 180 e incentivando denúncias aos serviços de segurança dos aeroportos. O Ministério também destacou o uso de câmeras e a fiscalização da Polícia Federal para coibir violências.
Em 2024, o Brasil registrou 1.492 casos de feminicídio, a maior marca desde a tipificação do crime em 2015. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A maioria das vítimas são mulheres negras (63,6%) e jovens entre 18 e 44 anos (70,5%).
Cerca de 80% dos agressores são companheiros ou ex-companheiros, e 97% são homens. A residência da vítima foi o local do crime em 64,3% dos casos, com arma branca sendo o principal instrumento utilizado (48,4%).
A campanha reforça o compromisso do Governo Federal com a proteção das mulheres e a integração de políticas públicas no combate à violência de gênero.
