O Campus Ouro Preto do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) oferece o curso de extensão gratuito “Geopolítica palestina para além dos discursos midiáticos”. Com carga horária de 30 horas, a formação é destinada a interessados na temática da geopolítica palestina.
O curso, realizado entre dezembro de 2025 e março do próximo ano, analisa as relações entre israelenses e palestinos. O foco está na assimetria de poder, na ocupação territorial e no papel das narrativas midiáticas na percepção pública do conflito.
O professor Francisco Fernandes Ladeira ministra o curso. Ele desenvolve pós-doutorado no campus, no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia em Rede Nacional (ProfGEO).
A pesquisa de pós-doutorado do professor Ladeira aborda a análise dos imaginários geopolíticos e das representações midiáticas sobre a Palestina. Este tema fundamenta a proposta da formação extensionista oferecida pelo IFMG.
De acordo com o professor Francisco Ladeira, o curso busca estabelecer um contraponto crítico ao discurso midiático hegemônico. Ele afirma: “Acredito que, diante de um genocídio, como é o caso palestino, a academia tem o dever de se posicionar”.
O docente espera que os professores participantes levem para a sala de aula uma postura mais questionadora em relação aos discursos geopolíticos da mídia. Ele ressalta: “Evidentemente, cada professor respeitando as características dos alunos e não buscando impor seu ponto de vista”.
Metodologia do Curso
O conteúdo do curso está dividido em duas partes complementares. A primeira parte aborda a Geopolítica Palestina sob uma perspectiva histórica e geográfica, iniciando com os primeiros registros do nome “Palestina”.
Esta seção inclui o surgimento do movimento sionista no século XIX, o plano de partilha da ONU em 1947 e a declaração de independência de Israel. Também são tratados a ampliação do território israelense e os desdobramentos contemporâneos do conflito, com foco na Faixa de Gaza.
A segunda parte do curso dedica-se à análise crítica dos discursos da grande mídia brasileira. São examinados os mecanismos de manipulação presentes nas narrativas favoráveis a Israel e que invisibilizam a perspectiva palestina.
Com base em bibliografia especializada e na Geografia crítica, o curso discute e desconstrói maniqueísmos, tipificações, adjetivações e personalizações. Estes elementos são recorrentes nas linhas editoriais dos veículos de comunicação do país.
A metodologia adotada é crítica e dialógica, combinando exposição teórica com análise prática de materiais midiáticos. São utilizados reportagens, manchetes e imagens veiculadas por diferentes meios de comunicação.
Esses materiais são comparados em exercícios de análise de discurso, contextualizados historicamente. A análise abrange desde as primeiras menções ao termo “Palestina” até os acontecimentos atuais.
Francisco Ladeira informou que pretende oferecer outras formações sobre o tema. Ele avalia a possibilidade de novos cursos de extensão, minicursos, rodas de conversa, palestras e, futuramente, uma disciplina na graduação ou no mestrado em Geografia.
Para mais informações sobre o pesquisador, acesse: Campus Ouro Preto recebe seu primeiro pesquisador de pós-doutorado.
