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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai lançar uma versão em Libras do Manual dos Inventários Participativos. A iniciativa visa adaptar o conteúdo para a comunidade surda, criando as Fichas do Inventário Participativo para Usuários de Libras (FIPAULs).
De acordo com o Iphan, o projeto surgiu de uma pesquisa em andamento na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A equipe inclui o professor Carlos Ferreira, doutorando em História, e dois integrantes da comunidade surda: Gabriel Quissini Mussatto, tradutor e intérprete, e Gustavo de Araujo Perazzolo, professor de Libras.
A pesquisa partiu da pergunta: “A percepção do patrimônio cultural por uma pessoa surda é a mesma de uma pessoa ouvinte?” Os pesquisadores afirmam que a forma de compreender o mundo difere, exigindo adaptações que vão além da tradução simples para Libras.
O manual atual, embora flexível, apresenta barreiras linguísticas para usuários de Libras como primeira língua. O português formal, com termos técnicos e estruturas complexas, dificulta a compreensão. Além disso, o material visual foi desenvolvido sob a perspectiva de pessoas ouvintes, o que pode não representar adequadamente a cultura surda.
As FIPAULs
As fichas adaptadas terão características específicas: estrutura linguística em glossa (notação escrita de sinais em Libras), ênfase em recursos visuais com QR Codes para vídeos em Libras e parâmetros gramaticais da língua de sinais. O projeto também inclui audiodescrição e versão em Braille para surdocegos.
Um aspecto central é que o design gráfico, fotografias e escrita serão feitos por pessoas surdas, garantindo autenticidade. O Iphan reconhece a lacuna nas políticas públicas para pessoas com deficiência e destaca a importância da iniciativa para inclusão e democratização do patrimônio cultural.
O objetivo é inserir a Libras como língua de registro patrimonial, não apenas como meio de tradução. A medida busca fortalecer políticas públicas inclusivas e garantir que o patrimônio cultural seja registrado por todas as vozes da sociedade.
Publicações de Educação Patrimonial
Durante o 3º Ciclo de Oficinas e Debates Virtuais de Educação Patrimonial, o Iphan apresentou o “Box da Educação Patrimonial de 2025”, que inclui três publicações: o Manual dos Inventários Participativos (2ª edição), a Carta do Beijódromo e o documento “Memória para o Futuro: Patrimônio Cultural, Educação Patrimonial e Mudanças Climáticas”.
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