Foto: Fred Magno
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Vale recorre ao STJ para suspender perícias sobre barragem em Brumadinho

A Vale apresentou recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que podem suspender perícias técnicas sobre os impactos do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), ocorrido em janeiro de 2019. De acordo com o jornal O Tempo, o desastre causou 272 mortes e danos ambientais ainda em avaliação.

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Os estudos, acompanhados pela UFMG, indicam piora na qualidade da água da região. Conclusões parciais foram divulgadas em novembro de 2025, mas a Vale questiona a continuidade das análises. A mineradora alega atrasos, parcialmente atribuídos à pandemia.

Em 28 de novembro de 2025, a empresa pediu revisão de uma decisão do ministro Herman Benjamin, que negou interromper as perícias. O magistrado baseou-se em uma súmula do STJ que impede reexame de acordos judiciais.

Acordo judicial e andamento dos estudos

As perícias foram estabelecidas em um acordo de 2021, que prevê a realização de Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Ecológico (ERSHRE). A UFMG coordena o “Projeto Brumadinho”, com 67 subprojetos em quatro áreas: Meio Ambiente, Infraestrutura, Socioeconomia e Saúde.

Dados preliminares, apresentados em audiência em novembro de 2025, mostram que 70% dos domicílios em Brumadinho relataram problemas de saúde, como depressão e ansiedade. Rejeitos da barragem continuam no Rio Paraopeba, com piora na qualidade da água durante o período chuvoso.

Especialista critica possível interrupção

Bernardo Campolina, professor da UFMG, afirmou que suspender os estudos dificultaria o monitoramento dos impactos a longo prazo. “Parar com os estudos é deixar de dar transparência”, disse. Ele destacou a necessidade de acompanhamento contínuo para avaliar efeitos ambientais e socioeconômicos.

A Vale informou que está analisando os dados da UFMG e apresentará suas considerações ao Judiciário. A UFMG não se manifestou sobre os recursos da mineradora.

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