Foto: Suziane Brugnara
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Zoológico de BH reproduz mutum-de-alagoas, espécie extinta na natureza

O Zoológico de Belo Horizonte registrou o nascimento de um filhote de mutum-de-alagoas, espécie de ave extinta na natureza desde a década de 1970. Este nascimento representa um avanço nos esforços de conservação da fauna brasileira. Atualmente, existem pouco mais de 100 indivíduos dessa espécie, todos sob cuidados humanos.

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Quatro adultos e o novo filhote residem no Zoológico de Belo Horizonte. A reprodução é considerada um marco, pois é o primeiro filhote da espécie a nascer de forma natural no Brasil, rompendo o ovo sem a necessidade de chocadeiras. A espécie é criada e reproduzida com o objetivo de um futuro programa de reintrodução na natureza.

O filhote nasceu de um dos dois casais de mutum-de-alagoas recebidos pelo Zoo de Belo Horizonte em 2018. A chegada ocorreu por meio do Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação da espécie. Os pais chegaram jovens, frutos de cruzamentos em criadouros legalizados.

De acordo com Márcia Procópio, chefe da seção de aves do Zoo de BH, o processo de formação do casal exigiu paciência e observação. Inicialmente, a fêmea não aceitava o macho, que ainda não havia atingido a maturidade sexual. Posteriormente, o macho atacava a fêmea durante as tentativas de aproximação.

Foi construída uma área cercada dentro do recinto para permitir o convívio sem contato direto. Gradualmente, foram implementadas estratégias de enriquecimento ambiental para que os dois pudessem permanecer juntos por mais tempo. A observação diária do comportamento auxiliou nas intervenções para estimular o pareamento.

Cruzamentos ocorreram há alguns anos, mas nenhum resultou em um filhote autônomo, nascido e criado pela mãe. A bióloga optou por não usar chocadeiras, acreditando que uma boa ambientação no recinto poderia gerar um resultado positivo, indicando altos níveis de bem-estar animal.

A equipe da seção de aves do Zoo de BH investiu na ambientação e paisagismo do recinto. Foram criados isolamentos, tanto artificiais quanto naturais, como paredes de plantas. Também foram promovidos sombreamentos semelhantes a florestas e diversificados poleiros e ninhos.

Após as intervenções, a equipe monitorava o ovo posto pela fêmea. O filhote rompeu a casca e pulou do ninho nos primeiros dias de vida. Este evento representa um avanço no Plano de Ação Nacional para a conservação do mutum-de-alagoas, que visa reproduzir a espécie com pureza genética para reintrodução na natureza.

Por ser a primeira instituição a conseguir a reprodução desta forma, o Zoo de BH se tornará um centro de estudo e pesquisa sobre a espécie. O filhote, com pouco mais de 15 dias, vive em um recinto reservado com os pais, fora da área de visitação. Visitantes podem conhecer outros dois indivíduos na Praça das Aves da instituição.

O mutum-de-alagoas

O mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) é uma ave de grande porte, nativa da Mata Atlântica nordestina. Por mais de 300 anos, foi considerada uma das aves mais raras e enigmáticas do mundo. Endêmico do “Centro Pernambuco”, uma faixa da Mata Atlântica que se inicia ao norte da foz do rio São Francisco, quase desapareceu.

Extinto na natureza, o mutum sobreviveu e procriou em cativeiro. Atualmente, existem pouco mais de 100 indivíduos da espécie sob cuidados humanos. É considerado um dos animais mais ameaçados do mundo. A ave foi encontrada no início do século XVII, durante o período de colonização holandesa da região.

O naturalista alemão Georg Marcgrave, da expedição científica de Maurício de Nassau, registrou o mutum em uma xilogravura. A semelhança com o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa), um parente amazônico, gerou confusão entre os cientistas. Por mais de 300 anos, o mutum-de-alagoas foi considerado a mesma espécie ou uma subespécie.

A distinção foi estabelecida em 1951, quando o ornitólogo Olivério Pinto identificou características que definiram o mutum-de-alagoas como uma espécie diferente. Para combater a ameaça de extinção e planejar o retorno da espécie à natureza, o governo brasileiro estabeleceu o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Mutum-de-alagoas – PAN Mutum-de-alagoas.

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