A Prefeitura de Belo Horizonte ainda não solucionou o déficit de R$ 115 milhões em repasses a sete hospitais filantrópicos 100% SUS, conforme acordo firmado há duas semanas. De acordo com o jornal O Tempo, as instituições relatam que a falta de um cronograma de pagamentos tem obrigado gestões a contrair empréstimos para manter serviços.
No Hospital São Francisco, internações de pacientes encaminhados pelo município estão suspensas temporariamente. A unidade e a Maternidade Sofia Feldman não cumpriram o pagamento da folha salarial no prazo legal. Outras cinco unidades também enfrentam dificuldades: Ciências Médicas, Santa Casa BH, Baleia, Mário Penna e Risoleta Neves.
Segundo a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), o déficit resulta de atrasos nos repasses de recursos federais repassados ao município. O Ministério do Trabalho e Emprego em Minas Gerais medeia o impasse, e uma nova reunião está marcada para segunda-feira (26/1).
A Prefeitura de Belo Horizonte afirma que honra o acordo e já repassou R$ 53,4 milhões na última semana. O restante será enviado até fevereiro, segundo a administração municipal. Não há detalhes, porém, sobre um cronograma discriminado por instituição.
Impacto no atendimento
De acordo com O Tempo, as sete unidades respondem por mais de 70% dos atendimentos de alta complexidade no SUS-BH. A Maternidade Sofia Feldman alerta que, sem os repasses até 5 de fevereiro, não conseguirá pagar salários ou adquirir medicamentos e insumos.
A Santa Casa de BH acumula dívidas de R$ 35 milhões, sendo R$ 24,8 milhões referentes a valores não repassados pela prefeitura. Para manter operações, a instituição contratará um empréstimo de R$ 15 milhões. O Hospital Risoleta Tolentino Neves usou reservas para pagar salários em janeiro.
O Ministério da Saúde informou que repassou R$ 2,8 bilhões a Belo Horizonte em 2025, com R$ 2,2 bilhões destinados à média e alta complexidade. Em dezembro, foram anunciados R$ 57,9 milhões extras anuais para 2026 e R$ 7,4 milhões para a Rede de Urgência e Emergência.
A Santa Casa de BH receberá R$ 10 milhões adicionais por meio do programa Agora Tem Especialistas, segundo o governo federal. As instituições, no entanto, seguem pressionadas pela falta de previsibilidade nos repasses municipais.
