O envelhecimento implica em alterações das funções fisiológicas. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade (PPGNL) da UNIFAL-MG identificou uma relação entre as alterações no olfato e paladar de pessoas idosas com a diminuição do prazer na alimentação e na qualidade nutricional.
A dissertação intitulada Alimentação para pessoa idosa: aspectos sensoriais provenientes de necessidades especiais, hábitos e prazeres foi desenvolvida pelo pesquisador André Luiz Ferreira. A orientação foi do professor Eric Batista Ferreira, do Instituto de Ciências Exatas (ICEx).
O estudo buscou compreender como as mudanças sensoriais associadas ao envelhecimento interferem no prazer de comer e na qualidade nutricional da dieta. A pesquisa foi realizada com visitas domiciliares a pessoas idosas cadastradas em Equipes de Saúde da Família (ESFs) no município de Jesuânia-MG.
Participaram do estudo 489 indivíduos com idade superior a 60 anos. A coleta de dados envolveu questionários elaborados pelos pesquisadores, além de perguntas sobre consumo alimentar adaptadas do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
De acordo com o orientador, os resultados indicam que as alterações sensoriais no envelhecimento são reconhecidas pela literatura científica. No entanto, o tema é pouco explorado pela indústria de alimentos.
Ele enfatiza que “Os produtos comercializados para pessoas idosas não buscam garantir prazer ao se alimentar, atentando-se apenas aos quesitos nutricionais. Para uma vida longeva e de qualidade, deve-se garantir que o ato de se alimentar não seja apenas para se nutrir, mas também seja prazeroso e sem prejudicar as condições clínicas do envelhecimento”.
O professor também comenta que a redução da percepção dos sabores na população idosa pode desestimular o consumo de alimentos. Isso pode levar ao uso excessivo de sal ou açúcar para realçar o gosto das refeições.
Essa prática pode aumentar o risco de problemas de saúde, como hipertensão e diabetes. Tais condições comprometem o bem-estar da pessoa idosa. O estudo contribui para o debate acadêmico.
A pesquisa também chama a atenção da sociedade e do setor produtivo para a necessidade de desenvolver alimentos que conciliem valor nutricional e prazer sensorial. Isso é relevante diante do crescimento da população com mais de 60 anos.
Como próximos passos, os pesquisadores pretendem replicar o estudo em cidades maiores para comparar os resultados. Além disso, planejam elaborar cartilhas com orientações e recomendações alimentares voltadas ao público idoso.
A dissertação de André Luiz Ferreira está disponível para acesso no Repositório Institucional da UNIFAL-MG, neste link.
