Foto: Flávio Tavares / O TEMPO
cemig-amplia-rede-para-data-centers-em-mg

Cemig expande rede para data centers em Minas Gerais

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) está ampliando sua rede de distribuição para viabilizar a instalação de data centers no estado. A informação foi divulgada durante o O TEMPO Seminários – Transição Energética, nesta terça-feira (27/1). O presidente da empresa, Reynaldo Passanezi Filho, destacou os desafios para atrair investimentos privados no setor.

Advertisement

Data centers são estruturas que processam e armazenam dados, incluindo sistemas de inteligência artificial e telecomunicações. Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo global desses centros atingiu 415 terawatts-hora (TWh) em 2024, cerca de 1,5% da demanda mundial. O crescimento anual foi de 12% nos últimos cinco anos.

De acordo com Passanezi, um dos principais desafios é lidar com a intermitência de fontes renováveis, como solar e eólica. Reportagem do O TEMPO mostrou que o excesso de geração em Minas Gerais resulta em perdas energéticas equivalentes ao consumo estadual por quase um ano.

Infraestrutura e investimentos

O presidente da Cemig afirmou que os subsídios para usinas solares devem ser redirecionados para infraestrutura de armazenamento e ampliação da rede. “Não adianta só aumentar a oferta de energia. Precisamos de estrutura para complementar a rede, essencial para atrair indústrias com alta demanda energética”, disse.

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, já há investimentos em data centers. A Algar possui duas estruturas na região, e a empresa RT-One anunciou um novo parque tecnológico de R$ 6 bilhões. O projeto deve gerar 2.000 empregos permanentes em três anos, além de vagas temporárias durante a construção.

Passanezi defendeu a redução de subsídios para geração renovável, que somaram R$ 50 bilhões em 2025, segundo a Aneel. “O Brasil precisa de tecnologias que apoiem o novo, não de incentivos para soluções maduras. A intermitência é um problema caro e exige discussão”, afirmou.

Projeto piloto em Serra da Saudade

A Cemig inaugurou um sistema de armazenamento de energia em Serra da Saudade, capaz de suprir falta de abastecimento por 48 horas. O presidente explicou que o custo das baterias foi menor que a construção de um novo circuito, mas ressaltou que o modelo ainda não é padrão.

“É uma tecnologia que precisamos testar. Não podemos descartar por ser mais cara, pois o Brasil precisará dela para uma matriz limpa. A alternativa são termelétricas, mas isso envolve combustíveis fósseis e impactos climáticos”, concluiu Passanezi.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *