Patrícia Nogueira/PBH
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BH promove Festa das Sementes com foco em variedades crioulas e agroecológicas

A Prefeitura de Belo Horizonte e agricultores de hortas urbanas realizarão nesta sexta-feira (30) a Festa das Sementes. O evento promoverá a troca de sementes crioulas e agroecológicas, além de debater a organização do Banco Público de Sementes da cidade.

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A atividade ocorrerá das 14h às 16h, no Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (CRESAN) – Mercado da Lagoinha, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 821, Lagoinha.

Este encontro inicial marca o início das atividades programadas para o ano. O evento visa proporcionar acesso a sementes e promover a troca de experiências entre os participantes.

Será apresentado um balanço das ações do Banco Público de Sementes dos últimos anos e planejados os próximos passos. A pesquisa “Sentidos das Sementes da Agroecologia na Cidade”, da cientista socioambiental Livia Pereira, será apresentada.

Também serão detalhados o fluxo de entrega das sementes para o Banco Público de Sementes Crioulas e Agroecológicas e o regimento interno do Banco. Este regimento foi construído de forma participativa entre agricultores e técnicos da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte.

Sementes crioulas são variedades desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares, quilombolas, assentados da reforma agrária ou indígenas. Elas possuem características especiais reconhecidas por suas respectivas comunidades.

Reconhecimento Internacional e Fortalecimento da Soberania Alimentar

O trabalho de conservação dessas sementes recebeu reconhecimento internacional. Em outubro de 2025, durante o Fórum Global do Pacto de Milão, na Itália, a Prefeitura de Belo Horizonte foi premiada na categoria “Produção de Alimentos”.

O prêmio foi concedido pelo projeto do Banco Público de Sementes Crioulas e Agroecológicas. O Pacto de Milão é uma rede global de cidades focada em sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis.

A Festa das Sementes promove a troca de material e imaterial, incluindo histórias e técnicas de plantio e armazenamento. Segundo Ana Paula Ferreira, gerente de Fortalecimento da Agroecologia e Ações Estratégicas, “É onde o saber tradicional, essencial para a agroecologia, se revitaliza e se expande”.

Ao integrar essas sementes ao Banco de Sementes, que funciona no Jardim Botânico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, o município fortalece a soberania alimentar. Este espaço tradicionalmente conserva sementes florestais e endêmicas.

A iniciativa promove a conservação e a valorização da biodiversidade e da cultura alimentar. Busca-se garantir a conservação de variedades de espécies livres de contaminação genética, armazenadas em condições controladas e climatizadas.

Além disso, a iniciativa fomenta a autonomia e o conhecimento dos agricultores urbanos. De acordo com Ana Paula Ferreira, os bancos comunitários de sementes são estratégias de conservação.

Nesses bancos, as sementes são catalogadas, armazenadas coletivamente e disponibilizadas aos agricultores. Isso fortalece a rede local e protege o patrimônio genético e cultural da região para as futuras gerações.

Ferreira acrescenta que as sementes crioulas carregam a história e a experiência dos agricultores que chegaram a Belo Horizonte. Elas trazem conhecimentos do interior e de outras regiões.

Ao preservar e multiplicar essas sementes, o município garante a conservação de espécies livres de transgenia, mais adaptadas ao clima e ao solo locais. Incentiva-se também a troca de saberes e a continuidade de conhecimentos ancestrais.

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