Foto: Cadu Passos/Divulgação
vazamentos-de-lama-congonhas-vale

Vazamento em estruturas da Vale em Congonhas preocupa especialistas

Congonhas, na região Central de Minas Gerais, registrou dois vazamentos de lama em estruturas da Vale em menos de 24 horas. De acordo com a prefeitura local, todos os 186 sumps (bacias de contenção) da Mina de Viga foram afetados. As ocorrências aconteceram durante períodos de chuva intensa.

Advertisement

O secretário municipal de Meio Ambiente, João Luís Lobo, afirmou que parte dos sumps estava em áreas elevadas, o que facilitou o rompimento das paredes laterais. Segundo ele, a Vale informou o número de estruturas impactadas durante vistoria da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

De acordo com O TEMPO, especialistas defendem revisão na legislação que regula estruturas de mineração. Carlos Barreira Martinez, professor da UFMG e UNIFEI, explicou que sumps não passam pelos mesmos cálculos de segurança aplicados em barragens.

O professor destacou que eventos climáticos extremos exigem atualização nos projetos dessas estruturas. “Precisamos rever as hipóteses de cálculo e a própria legislação”, afirmou. Ele sugeriu a criação de normas específicas para sumps, cavas e diques, semelhantes à Lei de Segurança de Barragens.

Hernani de Lima, da UFOP, concordou que o setor precisa se adaptar às mudanças climáticas. Ele reconheceu avanços na gestão de risco após Mariana e Brumadinho, mas defendeu maior atenção a outras estruturas além de barragens.

A Vale confirmou enxurradas entre os 186 sumps na Mina de Viga, mas negou rupturas. A empresa afirmou que as estruturas são seguras e que extravasamentos ocorreram devido ao fluxo excessivo de água. As causas estão sendo investigadas.

Críticas à legislação ambiental

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores criticou a flexibilização do licenciamento ambiental após a derrubada de vetos presidenciais. A entidade afirmou que a nova legislação reduz o rigor das análises técnicas e enfraquece a fiscalização.

Carlos Barreira também criticou cortes orçamentários na Agência Nacional de Mineração (ANM). Segundo O TEMPO, o órgão reduziu fiscalizações após bloqueio de R$ 6 bilhões pelo governo federal em 2025.

A Semad e a ANM não se pronunciaram sobre os vazamentos até o fechamento da reportagem. A Vale reforçou que mantém inspeções periódicas e que incorporará aprendizados dos eventos ocorridos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *