O Banco Central (BC) confirmou que iniciará a redução da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. A decisão foi divulgada na ata do colegiado, publicada nesta terça-feira (3/2). O BC não especificou o tamanho do corte, mas destacou que os juros permanecerão em patamares restritivos.
De acordo com o documento, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, que atualmente está dentro da meta de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma a ata. O BC ressaltou que o ritmo e a magnitude dos cortes dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
Segundo o BC, a taxa Selic, atualmente no maior nível desde julho de 2006 (15,25% ao ano), impacta a inflação ao encarecer o crédito e estimular a poupança. O mercado financeiro projeta, conforme o boletim Focus, que a Selic cairá para 14,5% em março e chegará a 12,25% até o fim de 2026.
Mercado de trabalho e cenário externo
O BC atribui a manutenção de juros elevados à resiliência de fatores inflacionários, como o dinamismo do mercado de trabalho. A taxa de desemprego permanece em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais crescem acima da produtividade.
“O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços”, diz a ata.
Em relação ao cenário internacional, o BC destacou incertezas sobre a política econômica dos EUA e tensões geopolíticas, que exigem cautela de economias emergentes. No plano interno, a saúde fiscal foi apontada como crucial para o controle inflacionário e a confiança dos investidores.
“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal tem o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária”, alertou o Copom. O colegiado defendeu políticas previsíveis e anticíclicas para garantir a estabilidade econômica.
