Deputados estaduais de Minas Gerais buscam impedir a Assembleia Geral da Copasa marcada para 23 de fevereiro. Eles exigem que a companhia esclareça denúncias de corrupção envolvendo o ex-presidente do Conselho de Administração, Hamilton Amadeo, antes da reunião.
De acordo com o grupo de parlamentares, a assembleia pretende aprovar o modelo de privatização da empresa proposto pelo governo estadual. Os deputados anunciaram que recorrerão ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para tentar suspender a votação.
A medida ocorre após a divulgação de uma delação em que Amadeo teria admitido à Polícia Federal o pagamento de propina a agentes políticos quando presidia a Aegea, empresa do setor de saneamento. A confissão foi tornada pública na quinta-feira (12/2), mesmo dia de sua renúncia ao cargo na Copasa.
“Reformularemos nossos pedidos ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas. Na próxima segunda-feira há reunião do Conselho Gestor, e eles não podem agir como se nada tivesse acontecido”, afirmou a deputada Bella Gonçalves (PSOL).
Os parlamentares destacam que Amadeo só renunciou após a divulgação da delação, parte de uma investigação em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 2020. Eles questionam se já havia condenações ou restrições judiciais quando ele assumiu o cargo na Copasa em 2024.
“Há informações de que Hamilton estaria cumprindo prisão domiciliar e que sequer está no Brasil. Rumores indicam que sua residência estaria nos Emirados Árabes”, acrescentou Bella Gonçalves.
Procurada, a Copasa informou que não tinha conhecimento dos fatos, já que o processo está sob sigilo judicial e envolve a trajetória profissional anterior de Amadeo. A empresa afirmou que mantém o cronograma de reuniões previsto.
Contexto da delação
Hamilton Amadeo renunciou à presidência do Conselho de Administração da Copasa após a divulgação de trechos de sua delação. Nele, teria admitido liderar um esquema de pagamento de propinas durante seu período como CEO da Aegea.
Segundo informações do portal UOL, baseadas na delação, a Polícia Federal estima que R$ 63 milhões tenham sido pagos em propinas entre 2010 e 2018. A Aegea era considerada potencial interessada na compra de ações da Copasa.
Em nota, a Copasa afirmou que os fatos relatados referem-se exclusivamente à trajetória profissional anterior de Amadeo. A empresa reforçou seu compromisso com ética e transparência, garantindo que o processo de sucessão seguirá os ritos estatutários.
Deputados contestam a posição da empresa. “Não podíamos imaginar que o maior escândalo estaria no presidente desse conselho”, disse Bella Gonçalves, referindo-se às investigações sobre Amadeo.
