Foto: Fred Magno
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Servidores criticam Zema por déficit de R$ 11,3 bilhões nas contas públicas

O governo de Minas Gerais registrou um rombo de R$ 11,3 bilhões nas contas públicas em 2025, segundo o Relatório de Gestão Fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda. O valor refere-se a recursos não vinculados a destinações específicas.

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De acordo com o Sindifisco-MG, o ex-presidente da entidade, Matias Bakir, afirmou que a situação fiscal poderia ser ainda pior. Ele citou que os servidores públicos só receberam reajuste salarial em 2023, acompanhando a inflação.

“Esse rombo ainda é pouco, porque é um governo que não cumpre com suas obrigações com o funcionalismo”, disse Bakir. O diretor do Sindpúblicos-MG, Geraldo Henrique, reforçou a crítica, lembrando que os servidores ficaram sem reajustes entre 2013 e 2022.

Segundo Henrique, o governador Romeu Zema prometeu na campanha de 2022 reajustes anuais pela inflação, mas não cumpriu para os anos de 2022, 2024 e 2025. Ele destacou que os servidores recebem apenas o 13º salário nos prazos legais.

Isenções fiscais

Bakir criticou as isenções fiscais concedidas a empresas, que totalizam R$ 24 bilhões em 2025. Ele questionou a falta de transparência sobre as empresas beneficiadas e a ausência de controle sobre os resultados desses incentivos.

O sindicalista também mencionou o acordo da Lei Kandir em 2020, quando Minas renunciou a R$ 135 bilhões para receber R$ 8,7 bilhões. “Sete anos depois, ele não conseguiu equilibrar as contas”, afirmou.

Situação fiscal

O relatório aponta que Minas tem R$ 3,7 bilhões em restos a pagar de 2025. As despesas com pessoal chegaram a R$ 53,8 bilhões, atingindo 48,22% da Receita Corrente Líquida – próximo do limite de 49%.

A dívida pública líquida do estado está em R$ 187,1 bilhões, sendo R$ 179,3 bilhões devidos à União. Minas aderiu ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida (Propag), que prevê amortização em 360 parcelas.

De acordo com o Estadão, Minas tem o maior rombo entre os estados que fecharam 2025 no vermelho, à frente de Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre.

Posição do governo

A Secretaria de Fazenda afirmou que o rombo inclui passivos herdados de gestões anteriores. A pasta destacou que a atual administração obteve superávit de R$ 1,1 bilhão em 2025 e manteve o equilíbrio fiscal pelo quinto ano consecutivo.

O governo ressaltou que cumpriu os investimentos mínimos em educação, saúde e ciência/tecnologia. A adesão ao Propag, segundo a nota, permitirá novo fluxo de pagamento da dívida e redução de encargos financeiros.

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