Foto: Hudson Alves/ TRF-6
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Julgamento de executivos da Vale começa com depoimentos de familiares das vítimas

A Justiça Federal iniciou nesta segunda-feira (23/2) as audiências de instrução e julgamento sobre o rompimento da Barragem B1 da Vale em Brumadinho, ocorrido há sete anos. O processo analisa a responsabilidade de executivos da empresa pela tragédia, que deixou 272 mortos. As sessões ocorrem no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).

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No primeiro dia, três familiares de vítimas depuseram como testemunhas de acusação. Segundo relatos, eles criticaram a postura da Vale após o desastre e afirmaram que nunca foram procurados diretamente pela empresa. As informações sobre o ocorrido chegaram por meio da imprensa ou grupos informais de WhatsApp.

De acordo com o relato das testemunhas, a sirene de alerta para rompimento não foi acionada. Todas integram a Avabrum, associação criada por familiares e atingidos diante da falta de informações e ações efetivas da mineradora. As audiências devem seguir até 17 de maio de 2027, com 76 sessões previstas.

Depoimentos emocionados

Kenya Paiva Silva Lamounier, esposa de uma das vítimas, afirmou que só recebeu confirmação oficial da morte quase um mês após o desastre. “Meu marido foi minerado. Grande parte das vítimas foram destroçadas”, declarou. Ela relatou impactos duradouros na família, incluindo problemas de saúde mental.

Andressa Rodrigues (PSB), prefeita de Mário Campos e mãe de uma vítima, destacou que parte da perna do filho foi encontrada meses depois. “Meu filho foi batido no liquidificador”, disse. Ela afirmou que a cidade sofre diretamente os impactos da tragédia, com aumento no uso de medicamentos controlados.

Natália de Oliveira, irmã de uma funcionária da Vale, sepultou a familiar quase três anos após o rompimento. “Foram quase três anos de espera. A gente lembra direitinho como isso doeu pra gente”, relatou. Ela questionou se os trabalhadores atuais da empresa estão seguros.

Próximas etapas

A próxima audiência está marcada para sexta-feira (27/2), com mais depoimentos de familiares. Ao final da instrução, a juíza decidirá se o caso será enquadrado como crime doloso contra a vida – o que levaria os acusados a júri popular – ou se proferirá a sentença diretamente.

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