Minas Gerais lidera o ranking de áreas urbanizadas em locais com alta declividade, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (4/3) pelo MapBiomas. O estado concentra os maiores riscos de desabamentos e deslizamentos, como os que causaram 72 mortes em fevereiro de 2026.
De acordo com o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, entre 1985 e 2024, os terrenos urbanizados em Minas Gerais aumentaram 150%, passando de 192,5 mil para 480,7 mil hectares. Desse total, 14,5 mil hectares estão em encostas íngremes, com inclinação acima de 30%.
Segundo Talita Micheleti, da equipe do MapBiomas, a urbanização em Minas desafia a geografia, especialmente na Zona da Mata, onde cidades como Juiz de Fora têm avançado sobre relevos acentuados. “O padrão de ocupação em áreas de risco é muito forte nessa região”, afirmou.
Juiz de Fora entre as cidades com maior risco
Juiz de Fora, terceira no ranking nacional, tem 1.256 hectares urbanizados em áreas de alto declive, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo. A cidade foi uma das mais afetadas pelas chuvas em fevereiro, com 65 das 72 mortes registradas no estado.
Em 1985, Belo Horizonte ocupava a segunda posição, com 900 hectares em encostas. Atualmente, a capital mineira aparece em quarto lugar, ultrapassada por São Paulo (1,7 mil hectares) e Juiz de Fora, que tem população 1,8 milhão menor.
Das dez cidades com maior ocupação em áreas de risco, quatro são mineiras: Juiz de Fora, Belo Horizonte, Sabará e Ipatinga. O Rio de Janeiro lidera o ranking, com 1.730 hectares de favelas em encostas, seguido por São Paulo (1.061 ha) e Minas Gerais (1.057 ha).
No Brasil, a área de favelas em locais de alta declividade mais que dobrou entre 1985 e 2024, passando de 2.266 para 5.704 hectares. Também cresceu a ocupação em áreas próximas a drenagens, com aumento de 200% no mesmo período.
Mayumi Hirye, coordenadora do estudo, destaca que as mudanças climáticas agravam os riscos para populações vulneráveis. “Episódios extremos afetam principalmente áreas sensíveis, onde a ocupação avança mais rápido que a urbanização planejada”, disse.
