O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou três investigadores e um escrivão da Polícia Civil, lotados no Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), por envolvimento com uma organização criminosa. Esta organização praticava furto e roubo de carga no estado de Minas Gerais.
Os policiais são acusados de dificultar investigações, negociar propina e repassar informações privilegiadas à organização. As denúncias foram formalizadas após investigações conduzidas pelo MPMG.
Em 3 de março, os quatro policiais civis foram presos durante a segunda fase da operação Carga Pesada. As prisões ocorreram em Belo Horizonte e em Ribeirão das Neves, cidades mineiras.
A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), regional Patos de Minas. A Polícia Militar e a Corregedoria da Polícia Civil também participaram da operação.
A primeira fase da operação Carga Pesada foi realizada em 2025, visando os integrantes da organização criminosa. A base da organização estava localizada no município de Patrocínio, na região do Alto Paranaíba.
Nessa primeira fase, 24 pessoas foram presas. Além disso, foram apreendidos 23 veículos, 38 aparelhos celulares, quatro armas e munição. Um computador, 36 mil reais, joias e 51.900 pesos argentinos também foram confiscados.
Os quatro policiais civis são acusados de se associar para favorecer a organização criminosa. De acordo com as investigações, a organização gerou mais de R$ 5 milhões em prejuízos a empresas e produtores de café.
Eles teriam utilizado a função pública para exigir vantagem indevida, omitir atos de ofício e inserir declarações falsas em documentos públicos. Outros crimes também foram atribuídos aos acusados.
A pedido do MPMG, a Justiça converteu a prisão temporária dos acusados, detidos na segunda fase da operação, em prisão preventiva. Segundo a decisão judicial, a liberdade dos envolvidos poderia comprometer a instrução processual.
A decisão aponta que a liberdade dos acusados poderia levar à ocultação ou adulteração de provas. Também há risco de alinhamento de versões e intimidação indireta de testemunhas, conforme o MPMG.
Para mais informações sobre o caso, acesse as notícias relacionadas no portal do MPMG:
- 24/06/2025 – Operação prende mais de 20 pessoas ligadas a organização criminosa de roubo de café que causou prejuízo superior a R$ 5 milhões
- 03/03/2026 – Operação Carga Pesada II, que investiga crimes de roubo e furto de cargas, prende quatro agentes públicos e cumpre mandados de busca e apreensão em BH e Ribeirão das Neves
