Uberlândia cresce como polo tecnológico, mas mulheres ficam de fora das profissões do futuro

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Uberlândia se destaca como um polo de inovação e tecnologia no interior do Brasil, atraindo investimentos e empresas do setor. Contudo, um estudo aponta uma falha de representatividade feminina nesse cenário. O documento “Mulheres nas Profissões do Futuro: Um Desafio para Uberlândia” foi publicado pelo Observatório do Trabalho do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais (CEPES/UFU).

A pesquisa utilizou dados oficiais do Governo Federal (RAIS) e projeções do Fórum Econômico Mundial (WEF) para 2025. O estudo indica que, apesar do avanço digital do município, as mulheres de Uberlândia não estão ocupando posições de liderança na transformação tecnológica.

Porta fechada da tecnologia

As profissões que demandam habilidades digitais, analíticas e criativas, com alto crescimento e remuneração, apresentam baixa presença feminina. De acordo com os dados levantados pelo CEPES/UFU referentes a 2024, as mulheres representam 12,5% dos Analistas e Cientistas de Dados.

Ainda segundo o CEPES/UFU, a participação feminina é de 6,7% entre os Engenheiros de FinTech. O documento afirma que o crescimento do setor tecnológico não resultou em maior inclusão feminina nessas áreas.

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O estudo destaca que “As profissões ligadas à tecnologia e IA são fortemente dominadas por homens. (…) Isso significa que, em áreas promissoras e com maior potencial de crescimento, as mulheres estão sub-representadas e, em alguns casos, essa lacuna não parece estar se reduzindo, mas ao contrário.”

A situação é observada também na área de “Desenvolvedores de Software e Aplicações”. A participação feminina, que era de 18,1% em 2022, diminuiu para 15,7% em 2024, conforme o levantamento da UFU.

Na mira da automação

A força de trabalho feminina em Uberlândia está concentrada em atividades administrativas, de atendimento e rotineiras. Essas ocupações são classificadas pelo Fórum Econômico Mundial como “em declínio”, com maior risco de substituição por Inteligência Artificial e automação.

Em Uberlândia, as mulheres representam 89,4% dos Caixas e Bilheteiros, 71,4% do setor de Telemarketing e 70,4% dos Secretários Jurídicos. O documento do CEPES/UFU aponta que “As mulheres em Uberlândia estão fortemente concentradas em ocupações que estão em declínio. Essas profissões envolvem tarefas mais rotineiras e repetitivas e, portanto, estão mais suscetíveis à automação e à digitalização.”

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O levantamento alerta para a economia da cidade, que possui grandes operações de telemarketing e serviços. Há um risco de vulnerabilidade social e desemprego feminino se não houver medidas de requalificação profissional, segundo a UFU.

As raízes do problema e caminhos para solução

O estudo da UFU aborda as causas estruturais da desigualdade. A “divisão sexual do trabalho” influencia o mercado, com mulheres dominando setores associados à “economia do cuidado”. Isso inclui Serviço Social (93,5%), Enfermagem (82%) e Cuidadores Pessoais (72,7%).

De acordo com o estudo, essa dinâmica é um reflexo de uma construção social. “Desde a infância, meninas e meninos são incentivados a seguir caminhos diferentes. Meninas são direcionadas para áreas consideradas ‘femininas’ e ligadas ao cuidado de outras pessoas, como enfermagem ou pedagogia, enquanto meninos são encorajados a seguir carreiras mais técnicas em engenharia ou tecnologia. Tais estereótipos limitam as escolhas e perpetuam a desigualdade.”

Para reverter o quadro, os pesquisadores sugerem a colaboração entre poder público, academia e setor privado. As recomendações incluem o incentivo de meninas em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) desde o ensino básico.

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Outras propostas são a criação de políticas de incentivo para empresas que contratem mulheres em tecnologia e programas de requalificação profissional. Estes programas seriam direcionados para mulheres em postos de trabalho ameaçados pela automação.

Sobre a pesquisa

O documento “Mulheres nas Profissões do Futuro: Um Desafio para Uberlândia” foi elaborado pelo Observatório do Trabalho. Este observatório é vinculado ao CEPES e ao Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (IERI/UFU).

Os dados utilizados na pesquisa são baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) e nas projeções do The Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial.

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