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O combate à fome no Brasil é um compromisso contínuo, afirmou Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. O evento, realizado nos dias 19 e 20 de março, discutiu políticas públicas de segurança alimentar e nutricional.
De acordo com Burity, o país enfrentou retrocessos nas políticas sociais antes de 2023, quando cerca de 33 milhões de pessoas viviam em situação de fome. O governo federal estruturou o Plano Brasil Sem Fome, reunindo 24 ministérios em uma estratégia interministerial.
“Recolocamos a fome no centro da agenda política, como expressão das desigualdades, e retomamos a coordenação nacional com uma visão sistêmica”, disse Burity. Ela destacou a combinação de políticas econômicas e sociais como fator decisivo para a saída do Brasil do Mapa da Fome.
A secretária ressaltou o papel do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) na articulação entre União, estados e municípios. “Sair do Mapa da Fome é uma conquista importante, mas não voltar é o verdadeiro desafio”, afirmou.
Reconhecimento internacional
Jorge Meza, representante da FAO, destacou a relevância da trajetória brasileira. Segundo ele, o Brasil alcançou um nível de subalimentação inferior a 2,5%, mesmo não sendo um país de alta renda. “A problemática da fome precisa estar no mais alto nível da agenda política”, afirmou.
José Graziano, diretor do Instituto Fome Zero, alertou para os desafios atuais, como o alto custo de alimentos saudáveis. “Os ultraprocessados estão se tornando relativamente mais baratos, com consequências graves para a saúde”, disse.
O seminário integra as comemorações dos 20 anos do Sisan, instituído pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. A programação está disponível no site do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
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