A ação foi protocolada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). De acordo com informações do jornal O Tempo, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que a greve afeta a assistência em urgências e emergências. “Somente ontem, foram 50 cirurgias suspensas. (…) não cabe fazer greve para o usuário sofrer, o paciente que espera”, argumentou o secretário em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19).
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) espera que uma decisão judicial para suspender o movimento seja publicada ainda hoje. Baccheretti citou como exemplo a situação no Hospital João XXIII, onde, segundo ele, a ausência de enfermeiros e técnicos de enfermagem impede a realização de cirurgias, fazendo com que pacientes com fraturas aguardem por dias, o que aumenta o risco de infecções.
Apesar da ação judicial, o secretário acrescentou que as queixas dos profissionais são justas. “É uma demanda por aumento de salários justa. Já existe uma proposta na Assembleia Legislativa sobre o reajuste concedido pelo governo estadual”, justificou. Ele completou que o papel do sindicato é reivindicar, mas que isso não pode se refletir na vida das pessoas que dependem do atendimento médico.
Nesta quinta-feira (19), o Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros) e a Associação dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg) realizam uma nova assembleia. O encontro ocorre em frente ao Hospital Júlia Kubitschek, no Barreiro, para debater os próximos passos da paralisação dos servidores da fundação, que reivindicam melhores condições de trabalho e de assistência aos pacientes.
O que reivindicam os trabalhadores de saúde da Fhemig?
A paralisação é motivada por reivindicações de melhores condições de trabalho e de assistência. O presidente do Sindpros aponta o sucateamento da infraestrutura dos hospitais, com problemas que vão de falhas estruturais a falhas no novo sistema de controle de medicamentos (Tazy). Segundo ele, o sistema tem atrasado a liberação de remédios. “Os pacientes são prejudicados”, relata o representante.
Em relação à valorização salarial, a categoria afirma estar há pelo menos seis anos sem reajuste ou reposição. De acordo com o Sindpros, o aumento de 5,4% anunciado pelo governo não se aplicará na prática à enfermagem, pois um abono pago para atingir o piso nacional será retirado. “Nossa perda inflacionária nos últimos três anos foi de 12,5%”, afirmou o representante sindical Carlos Martins.
Outra reivindicação é o reforço nas equipes multiprofissionais, que estariam sobrecarregadas devido ao déficit de trabalhadores. “Em escalas que antes contavam com 10 profissionais, hoje são cinco ou seis, sem redução dos serviços”, denuncia Martins. Ele acrescenta que o último concurso já convocou um número defasado de profissionais, resultando em adoecimento e afastamento de servidores sem a devida reposição.
O que diz o governo de MG?
Sobre o reajuste, o governo de Minas Gerais informou ter “compromisso com a valorização dos servidores públicos estaduais e mantém diálogo permanente com as categorias”. A gestão afirmou que a reorganização das contas e a regularidade dos pagamentos são prioridades desde 2019, culminando no anúncio da recomposição de 5,4% para todo o funcionalismo, retroativa a 1º de janeiro de 2026.
Em relação aos problemas no sistema de controle de medicamentos, a Fhemig argumentou que “o Tasy é um dos sistemas de gestão hospitalar mais robustos e utilizados no Brasil”. Conforme a fundação, a plataforma permite o registro e acompanhamento digital de todas as etapas do atendimento, além de monitorar indicadores assistenciais com precisão e segurança para os pacientes.
