Saberes que florescem: idosas descobrem os insetos e revelam tradições em Poços de Caldas (Foto: arquivo Samantha Martins)A doutoranda Samantha e seu orientador, professor Ernesto (Foto: arquivo Samantha Martins)(Fotos: arquivo Samantha Martins)
7508-agenciamg

Estudo envolve idosos em atividades de educação ambiental em Poços de Caldas

Um estudo pioneiro em Poços de Caldas envolveu idosos em atividades de educação ambiental, utilizando insetos como ferramenta de aprendizado. A pesquisa, conduzida por Samantha Martins Ferreira, doutoranda em Ciências Ambientais pela UNIFAL-MG, reuniu 87 idosos para explorar saberes culturais e promover a valorização do conhecimento tradicional sobre insetos.

Advertisement

De acordo com o Jornal UNIFAL MG, o projeto foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da UNIFAL-MG, com orientação do professor Ernesto de Oliveira Canedo Júnior. Durante as atividades, os participantes tiveram a oportunidade de observar insetos como o bicho-pau e a barata-de-Madagascar através de estereomicroscópios, além de compartilhar histórias e memórias relacionadas a abelhas, formigas e borboletas.

Metodologia e Resultados

Entre fevereiro e março de 2024, as atividades ocorreram em grupos dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e da Universidade Aberta para a Maturidade (UNABEM/UEMG). As sessões incluíram rodas de conversa e atividades práticas, onde os idosos puderam interagir com caixas entomológicas e equipamentos tecnológicos. Samantha destacou que muitos participantes nunca haviam visto um microscópio de perto, tornando a experiência marcante.

O estudo revelou que a palavra “inseto” inicialmente gerava reações de medo e nojo, mas ao final das atividades, os participantes demonstraram curiosidade e admiração. O professor Ernesto observou que os idosos passaram a reconhecer a importância dos insetos no cotidiano e na conservação ambiental.

A pesquisa, que envolveu majoritariamente mulheres com idade média de 70 anos, foi aprovada pelo Comitê de Ética e contou com apoio logístico da UEMG Poços de Caldas. A metodologia combinou entrevistas semiestruturadas com observações diretas de insetos, resultando na identificação de 66 etnoespécies, sendo 75% delas insetos.

Impacto e Continuidade

Os resultados do estudo já geraram dois artigos científicos e abriram novas frentes de pesquisa. Samantha Martins Ferreira planeja expandir o projeto para a Educação de Jovens e Adultos em outras cidades mineiras, além de continuar atuando no projeto Insectoológico, que leva práticas lúdicas sobre insetos para escolas.

O professor Ernesto enfatizou a importância de ouvir os idosos, que são guardiões de conhecimentos tradicionais valiosos para a compreensão e conservação do meio ambiente. A pesquisa demonstrou que a ciência pode ser construída em diálogo com a comunidade, promovendo inclusão social e valorização da memória cultural.

Para mais detalhes, a dissertação completa de Samantha Martins Ferreira está disponível no repositório da UNIFAL-MG. Os artigos científicos relacionados ao estudo podem ser acessados nas revistas Ambiente & Educação e Interações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *