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Mineradoras acusadas pela PF de impedir proteção ambiental na Serra do Curral

Mineradoras são acusadas pela Polícia Federal (PF) de impedir a proteção ambiental na Serra do Curral, em Minas Gerais. A operação “Rejeito”, deflagrada nesta quarta-feira (17), revelou um esquema criminoso bilionário envolvendo empresários e servidores públicos, que atuaram para barrar projetos de lei destinados à proteção da área, considerada um cartão-postal de Belo Horizonte.

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De acordo com informações do O TEMPO, a investigação aponta que o grupo usou lobby para impedir a tramitação de projetos tanto em Minas Gerais quanto no Congresso Nacional. Um dos projetos afetados é o PL 1.125/2022, que propõe a criação do Parque Nacional da Serra do Curral. O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) justificou a proposta devido à falta de avanços nas medidas municipais para proteger a serra.

A deputada federal Duda Salabert (PDT), relatora do projeto na Câmara, afirmou que a “máfia da mineração” sabotou seu relatório, retirando-o de votação duas vezes. Outro projeto, o PL 1.449/2023, que cria o Monumento Natural Serra do Curral, também enfrenta dificuldades na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sem avanços significativos em quase dois anos.

Esquema de corrupção

Durante a investigação, diálogos entre Gilberto Henrique Horta de Carvalho, geógrafo e lobista, e o ex-deputado estadual João Alberto Lages foram encontrados, indicando esforços para impedir o andamento dos projetos de lei. A PF destaca que a criação do parque “mataria” os planos de exploração do Projeto Taquaril.

O inquérito também revelou que a servidora Débora Maria Ramos do Nascimento França, ex-superintendente do IPHAN em Minas Gerais, articulou junto a órgãos estaduais para aprovar licenciamento ambiental em área de proteção provisória da serra. A proteção havia sido garantida por uma portaria do IEPHA/MG em 2022.

A operação “Rejeito” estima um prejuízo potencial de mais de R$ 18 bilhões, com lucro líquido projetado de R$ 9,54 bilhões para o grupo criminoso. A investigação, em parceria com o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União, aponta que a rede criminosa se especializou em corrupção e lavagem de dinheiro para viabilizar operações ilegais.

O governo do Estado de Minas Gerais exonerou servidores investigados, enquanto a ANM afirmou não ter sido oficialmente comunicada pela PF sobre medidas envolvendo seus servidores. Nenhuma empresa ou pessoa física citada se pronunciou até o momento.

Para mais informações, acesse a matéria completa no O TEMPO.

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