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Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o Bolsa Família não desencoraja os beneficiários a buscar trabalho. O estudo analisou o impacto do aumento do valor mínimo do benefício, de R$ 400 para R$ 600, entre 2020 e o primeiro semestre de 2023.
De acordo com o Ipea, o programa permitiu que parte dos beneficiários recusasse ocupações informais e de baixa remuneração, fenômeno chamado de “fuga da precariedade”. Os dados mostram que o benefício não incentivou a migração de empregos formais para informais.
A evasão do mercado de trabalho ocorreu principalmente entre desempregados, trabalhadores domésticos sem carteira e familiares auxiliares. A pesquisa utilizou dados longitudinais da PNAD Contínua para isolar o efeito do aumento do benefício.
Perfil dos beneficiários
O estudo identificou que as pessoas que deixaram a força de trabalho são majoritariamente mulheres com filhos de até dez anos, residentes no Nordeste, em áreas rurais e com baixa escolaridade. Entre elas, 34,4% declararam cuidar de afazeres domésticos ou familiares como motivo.
Dados da PNAD mostram que, em 2022, quase um terço das mulheres que não buscaram emprego citaram responsabilidades de cuidado como razão. Entre homens, o índice foi de 3,5%. Para mulheres com filhos menores de três anos, mais de 80% atribuíram a indisponibilidade ao cuidado de crianças.
O Bolsa Família oferece benefícios adicionais de R$ 150 para crianças de zero a seis anos e R$ 50 para crianças e adolescentes entre sete e 18 anos incompletos, além de gestantes e nutrizes. O estudo destaca que o programa corrige distorções ao considerar o tamanho da família.
Os pesquisadores sugerem que investimentos em serviços de cuidado para crianças e idosos podem reduzir os custos para as mulheres que optam pelo trabalho formal. A análise foi conduzida pelos pesquisadores Ricardo Campante e Fábio Soares.
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