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A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) apreenderam um projeto que buscava destombar a Serra da Piedade, patrimônio cultural e natural protegido pelo Iphan e pelo governo de Minas Gerais, para viabilizar mineração na região. O documento foi encontrado durante a Operação Rejeito, deflagrada em 17 de setembro.
De acordo com o jornal O Tempo, o estudo de 80 páginas estava na mesa do diretor da Minerar Participações, o ex-deputado João Alberto Paixão Lages, em Nova Lima. Lages é investigado por liderar uma organização que fraudava licenças ambientais para mineração ilegal.
A PF aponta que o grupo corrompeu servidores de órgãos ambientais estaduais e federais para obter autorizações irregulares. As atividades ilegais atingiram áreas protegidas, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra de Botafogo, em Ouro Preto.
Segundo as investigações, o planejamento incluía a exploração da Serra da Piedade, entre Caeté e Sabará. Reuniões teriam ocorrido entre a ex-presidente do Iphan, Débora França, empresários da Minerar e servidores do Iepha-MG para discutir o destombamento. O grupo pagou R$ 80 mil pelo estudo.
Em depoimento, Débora França afirmou que considerou inviável o destombamento, mas confirmou as tratativas. A PF identificou um memorando que previa a compra dos direitos minerários por US$ 5 milhões, reconhecendo a localização em área protegida.
O Iphan informou que o Santuário de Nossa Senhora da Piedade é tombado desde 1956 e não se manifestará sobre o caso devido ao sigilo judicial. O governo de Minas e o Iepha não se pronunciaram até o momento.
Operação Rejeito
A investigação revelou que a organização criminosa monitorava autoridades e lavava dinheiro obtido com mineração ilegal. A PF estima lucros ilícitos de R$ 1,5 bilhão e projetos com potencial de R$ 18 bilhões.
Entre os investigados está o ex-presidente da Feam, Rodrigo Gonçalves Franco, acusado de favorecer o grupo em licenciamentos ambientais. A operação continua em andamento.
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