**ICMBio inicia nova fase de reconstrução no Rio Doce com criação da APA**
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) oficializou a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Foz do Rio Doce em 3 de junho de 2025. A unidade, com aproximadamente 43 mil hectares no norte do Espírito Santo, visa proteger a biodiversidade marinha e costeira, além de ordenar o uso sustentável dos recursos naturais.
De acordo com o ICMBio, a APA abriga espécies ameaçadas, como a tartaruga-de-couro (*Dermochelys coriacea*), a toninha (*Pontoporia blainvillei*) e a baleia-jubarte (*Megaptera novaeangliae*). A criação da unidade foi precedida por consultas públicas em comunidades tradicionais, incluindo Regência Augusta, Degredo e Comboios.
Monitoramento e pesquisa
Desde antes do rompimento da barragem de Fundão em 2015, o ICMBio atua no monitoramento ambiental da região. Frederico Drumond, ex-coordenador da Câmara Técnica de Conservação da Biodiversidade (CTBio), destacou que o instituto garantiu registros essenciais para ações de reparação.
O Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA), considerado o maior do Brasil, envolve mais de 500 pesquisadores de 30 universidades. Coordenado pela UFES e pela Fundação Espírito-santense de Tecnologia (FEST), o programa abrange desde rios até o ambiente marinho.
Joca Thomé, coordenador do Centro TAMAR/ICMBio, afirmou que o monitoramento contínuo permitiu a formação de uma nova geração de pesquisadores especializados em conservação.
Investimentos e próximos passos
Em 2025, o Projeto de Consolidação das Unidades de Conservação Federais foi aprovado, com investimento de R$ 76,5 milhões até 2028. Os recursos serão aplicados em sete municípios do Espírito Santo e da Bahia, beneficiando cerca de 100 mil pessoas.
As ações incluem educação ambiental, manejo de espécies, inovação tecnológica e promoção do turismo sustentável. O objetivo é elevar o índice de efetividade de gestão (SAMGe) e fortalecer o desenvolvimento local.
O Novo Acordo de Mariana, homologado em 2024, estabeleceu um modelo de governança mais transparente, com participação social e base científica para decisões de reparação. Entre os desafios futuros estão a restauração de afluentes e a melhoria da qualidade da água.
