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Documento da COP30 mostra impacto da emergência climática na saúde global

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Um relatório divulgado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a COP30 alerta que um em cada 12 hospitais no mundo corre risco de paralisação devido a eventos climáticos extremos. O documento destaca que mais de 540 mil pessoas morrem anualmente por calor extremo e que os sistemas de saúde enfrentam desafios crescentes.

De acordo com o relatório, 41% dos hospitais estão mais vulneráveis a danos causados por eventos climáticos do que em 1990. Cerca de 3,3 a 3,6 bilhões de pessoas vivem em áreas altamente suscetíveis às mudanças climáticas, aumentando a pressão sobre os serviços de saúde.

Plano de Ação em Saúde de Belém

O documento, intitulado “Saúde e Mudanças Climáticas: Implementando o Plano de Ação em Saúde de Belém”, reforça a necessidade de medidas urgentes para proteger a saúde global. O plano, lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil, já conta com a adesão de mais de 80 países e instituições.

“As mudanças climáticas já impactam diretamente os sistemas de saúde em todo o mundo”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele destacou que o relatório oferece ferramentas para transformar evidências científicas em ações concretas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, ressaltou que a crise climática é também uma crise de saúde. “Este relatório traz evidências sobre os impactos nas pessoas e nos sistemas de saúde, além de exemplos do que os países podem fazer para proteger vidas”, disse.

Riscos e lacunas

O relatório aponta que, sem ações rápidas, o número de unidades de saúde ameaçadas pode dobrar até meados do século. O setor da saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, exigindo transição para sistemas mais sustentáveis.

Segundo o documento, apenas 54% dos planos nacionais de adaptação em saúde avaliam riscos às unidades de saúde. Menos de 30% consideram renda, 20% abordam gênero e menos de 1% incluem pessoas com deficiência.

Nick Watts, diretor do Centro de Medicina Sustentável da Universidade Nacional de Singapura, destacou que investir em sistemas de saúde resilientes pode salvar bilhões de vidas. “Destinar 7% dos recursos de adaptação à saúde manteria serviços essenciais funcionando durante crises climáticas”, afirmou.

Recomendações e avanços

O relatório recomenda que governos integrem objetivos de saúde às políticas climáticas, invistam em infraestrutura resiliente e promovam participação social. Entre 2015 e 2023, o número de países com sistemas de alerta precoce dobrou, mas apenas 46% dos países menos desenvolvidos possuem mecanismos eficazes.

O Governo do Brasil também lançou um relatório complementar, destacando a importância da participação social na adaptação climática. Lúcia Xavier, fundadora da ONG Criola, afirmou que o Plano de Belém é uma oportunidade para ampliar a voz das comunidades vulneráveis.

O Plano de Ação em Saúde de Belém tem três linhas de ação: vigilância e monitoramento, políticas baseadas em evidências e inovação em saúde digital. O relatório está disponível para acesso público.

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