**Isenção do IR beneficia metade dos professores de educação básica**
Mais de 600 mil professores da educação básica deixarão de pagar Imposto de Renda devido à isenção sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rendimentos de até R$ 5 mil mensais. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 51,6% dos docentes da categoria estarão totalmente isentos, ante os 19,7% antes da mudança.
A Lei nº 15.270/2025 amplia a faixa de isenção total e estabelece descontos para rendimentos de até R$ 7.350 mensais. No total, 73,5% dos professores serão beneficiados, seja por isenção ou redução tributária. O impacto é maior para quem recebe valores próximos ao piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025.
Impacto por tipo de vínculo
Entre professores com apenas um vínculo, 60,7% ficarão isentos e 21,1% terão redução do imposto. Já entre os que acumulam mais de um emprego, 32,3% serão isentos e 26,1% terão desconto. Para docentes com outra ocupação fora da educação, 40,2% não pagarão IR e 20,9% terão alívio tributário.
Paulo Nascimento, coordenador do Ipea, afirma: “Antes da reforma, eles pagavam a alíquota máxima de 27,5%. Com a isenção até R$ 5 mil, passam a não pagar nada”. O ganho médio anual estimado para esse grupo é de R$ 5.079,84, equivalente a quase um salário adicional no ano.
Diferenças entre redes pública e privada
A isenção afeta mais intensamente a rede privada, onde 82,2% dos professores deixarão de pagar IR, contra 42,5% na rede pública. Adriano Senkevics, pesquisador do Ipea, destaca: “O desafio da valorização salarial é mais grave na rede privada, que remunera abaixo do piso do magistério público”.
A disparidade reflete a estrutura salarial de cada setor. Enquanto a rede pública tem remuneração mais homogênea, a privada apresenta jornadas parciais e salários médios mais baixos, ampliando o número de beneficiados pela isenção.
Estados mais beneficiados
Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Roraima são os estados com maior proporção de docentes isentos (60% ou mais). No extremo oposto, Amapá, Distrito Federal, Pará e Goiás têm percentuais elevados de professores ainda sujeitos à alíquota máxima. No DF, 63,4% permanecem nessa faixa.
[Confira a quantidade de professores beneficiados com isenção total ou parcial do IR em todas as 27 unidades da Federação](https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias-regionalizadas/isencao-do-ir-professores/).
Metodologia do estudo
A pesquisa utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para mapear vínculos empregatícios e rendimentos docentes em 2022, ajustados pela inflação. Salários anuais foram divididos em três faixas: isentos (até R$ 60 mil), redução tributária (R$ 60.000,01 a R$ 88.200) e alíquota máxima (acima de R$ 88.200).
Paulo Nascimento ressalta limitações do estudo: “O ideal seria integrar Rais e Censo Escolar para análises mais detalhadas”. A pesquisa não considerou deduções legais, como gastos com saúde ou dependentes.
