A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi certificada com o Selo ODS Educação 2025. Esta certificação reconhece e incentiva a participação de instituições de ensino no cumprimento das metas da Agenda 2030, com foco no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4: Educação de qualidade.
O objetivo do Selo ODS Educação é promover o engajamento das instituições de ensino na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A iniciativa visa contribuir para a formação de cidadãos conscientes e engajados, capazes de promover um futuro justo e sustentável.
A UFJF está entre as 129 instituições de ensino que receberão o Selo ODS Educação 2025. Seis iniciativas da universidade serão certificadas. Três delas são coordenadas pela Diretoria de Sustentabilidade e Patrimônio.
As iniciativas coordenadas pela Diretoria de Sustentabilidade e Patrimônio são:
- Preservação do Patrimônio Público através da Recuperação e Reaproveitamento de Bens Móveis.
- Destinação de Materiais Recicláveis para Associação de Catadores.
- Logística Reversa de Eletroeletrônicos, pilhas e baterias.
De acordo com a UFJF, a diretora de Sustentabilidade e Patrimônio, Rosana Colombara, destacou a importância da participação em programas como este. Ela afirmou que a certificação formaliza o compromisso da instituição com a Agenda 2030 e incentiva a organização de dados para ampliar as práticas sustentáveis.
O projeto “Recicle: Educação Ambiental em escolas do município de Juiz de Fora” é uma das iniciativas certificadas. Este projeto de extensão da UFJF, em parceria com a prefeitura, atua na conscientização de crianças, adolescentes e da comunidade escolar.
O projeto aborda a importância da redução, reutilização e reciclagem de resíduos, incentivando práticas sustentáveis. Para isso, promove oficinas, atividades educativas e a elaboração de projetos específicos em cada escola, focando no gerenciamento de resíduos e na preservação ambiental.
Além disso, o Recicle desenvolve materiais informativos e conteúdos digitais para auxiliar na formação de hábitos sustentáveis. A iniciativa busca fortalecer a participação social, contribuindo para uma sociedade mais consciente e comprometida com o meio ambiente.
De acordo com a UFJF, o coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF, Samuel Rodrigues Castro, informou que o projeto encerra o ano letivo de 2025 com atuação formal em 24 escolas.
O Recicle realizou mais de 150 ações presenciais em 2025, além de manter uma atuação ativa nas redes sociais. Para o próximo ano, a meta é ampliar o atendimento formal para quase 50 escolas, o que representa mais de 50% das escolas municipais com Ensino Fundamental II.
Para isso, há um edital de chamamento aberto para escolas interessadas, com inscrições via formulário digital no perfil do Recicle no Instagram, até 26 de janeiro de 2026. De acordo com Castro, a certificação reafirma o compromisso institucional com a sustentabilidade.
Ele acrescentou que a universidade se posiciona como referência na difusão de práticas e valores de cuidado com o meio ambiente. Isso se reflete na formação de recursos humanos mais responsáveis e conscientes de seu papel cidadão.
Outro projeto certificado é o “éColmeia”, que desenvolve soluções ecológicas para o manejo de abelhas nativas sem ferrão. O projeto utiliza resíduos sólidos como papelão, embalagens longa vida, garrafas PET e isopor na fabricação de iscas e caixas de abelhas.
Estes materiais, geralmente descartados em áreas urbanas, possuem características adequadas para isolamento térmico e resistência à umidade. A proposta aborda a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente.
De acordo com a UFJF, o coordenador do projeto e professor do Instituto de Artes e Design (IAD), André Carvalho Mol, explicou que a reutilização dessas embalagens está diretamente relacionada à preservação.
Ele destacou a escassez de ambientes disponíveis para as abelhas sem ferrão, especialmente ocos de árvores, mesmo em ambientes urbanos. André Mol afirmou: “As embalagens são projetadas para preservar os alimentos e compartilham com as necessidades das colmeias para a sua sobrevivência como a permeabilidade, bloqueio de luz e também evitam o mau odor”.
Mol comemorou o reconhecimento por meio do certificado da ODS Educação. Ele afirmou que o selo valida as atividades propostas e que o nome da UFJF transmite confiança e possui valor significativo para a comunidade local.
O professor acrescentou que isso mostra que a proposta está em sintonia com os objetivos da ODS e reforça o engajamento dos alunos. Ele ressaltou a importância de desenvolver algo tão significativo.
O Projeto de Sabão, que produz sabão e detergente a partir de óleo de cozinha usado, também receberá a certificação. A iniciativa é liderada pela professora Denise Lowinsohn, do Departamento de Química da UFJF.
A ação promove educação ambiental e conscientização sobre o descarte inadequado de óleo de cozinha. Oficinas e palestras são realizadas para a comunidade, abordando os impactos ambientais do descarte de óleo e seu reaproveitamento na produção de sabão ecológico.
De acordo com a UFJF, Denise Lowinsohn ressaltou que o óleo de cozinha usado, muitas vezes considerado um “resíduo incômodo”, é um agente de alto impacto ambiental e econômico quando descartado incorretamente.
Ela explicou que o óleo descartado na pia é levado para os lençóis freáticos e rios, criando uma camada de gordura na superfície. Estima-se que um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água potável.
O óleo também é a principal causa de entupimentos nas redes de esgoto, pois solidifica e se mistura com outros resíduos. Se descartado no lixo comum ou na terra, impermeabiliza o solo, dificultando a absorção da água da chuva e contribuindo para enchentes.
Além disso, sua decomposição em lixões e aterros sanitários libera gás metano, um gás de efeito estufa. O projeto busca implementar campanhas de conscientização sobre os riscos do descarte inadequado de óleo e seus efeitos na saúde e no meio ambiente.
Oficinas são realizadas para a produção de sabão em barra, aproveitando o óleo de cozinha usado. A atividade visa gerar economia na compra de produtos de limpeza, combater o desperdício e reduzir o lixo doméstico.
O projeto também busca criar uma forma alternativa de renda, colaborando na autonomia e valorização de talentos pessoais e grupais. As atividades ocorrem no Centro de Ciências da UFJF e em diferentes localidades.
Para participar, os interessados podem acompanhar o Instagram do projeto. De acordo com a UFJF, ao receber o Selo ODS Educação, o projeto deixou de ser apenas uma iniciativa local para se tornar uma tecnologia social reconhecida.
Para a universidade, o selo reafirma seu papel como agente de transformação regional. Ele reforça a missão de levar a pesquisa e o ensino para a comunidade, impactando a vida de quem está fora dos campi.
