O projeto MICROMar realizou o maior levantamento de microplásticos (MP) em ecossistemas costeiros tropicais. A pesquisa buscou identificar as praias brasileiras com maior quantidade de microplásticos e a localização dos microplásticos considerados mais perigosos. Este estudo abrangeu uma vasta área do litoral brasileiro.
A pesquisa, coordenada por Guilherme Malafaia do Instituto Federal Goiano, contou com a participação de dois pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Foram coletadas 4.134 amostras de sedimentos em 1.024 praias do litoral brasileiro. Um artigo científico resultante foi publicado na revista Environmental Research em setembro de 2025.
Além de pesquisadores de instituições brasileiras, o trabalho incluiu cientistas da Argentina, Espanha, México e Estados Unidos. Da UFU, participaram Giuliano Jacobucci, docente do Instituto de Biologia, e Bárbara Nunes, técnica do Laboratório de Macroecologia e Saúde Ambiental do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Pública.
De acordo com a UFU, microplásticos são fragmentos que medem entre 5 milímetros e 3 nanômetros. Para contextualizar, um nanômetro equivale a um milímetro dividido por um milhão. Essa definição é crucial para a identificação e classificação dos materiais encontrados.
O microplástico pode se associar a outros contaminantes e está presente no solo, na água e no ar. Ele representa um risco ecológico e para a saúde humana, especialmente ao entrar na cadeia alimentar. Sua ubiquidade levanta preocupações sobre impactos ambientais e na saúde.
Giuliano Jacobucci afirmou: “Já existem pesquisas, publicadas, encontrando microplástico em sangue humano, placenta, pulmões. E recentemente no coração também foi identificado”. Esta declaração ressalta a presença de microplásticos em organismos humanos.
Levantamento Abrangente de Microplásticos
Este levantamento costeiro foi o mais abrangente de microplásticos no Sul Global. As amostras foram coletadas entre abril de 2022 e abril de 2023 em 211 municípios dos 17 estados litorâneos brasileiros, cobrindo aproximadamente 7.500 km do litoral, o que corresponde a 90% da costa brasileira.
Os microplásticos foram extraídos, quantificados e caracterizados por morfologia, cor, tipo e composição química. A ocorrência variou entre os estados, de 16,5% no Espírito Santo a 90,6% em Sergipe. Em nível nacional, 69,3% das praias apresentaram contaminação.
Foram identificados 24.549 microplásticos nas amostras coletadas, predominantemente fragmentos irregulares com cores branca, verde e azul. Os polímeros mais comuns foram polietileno (PE), poliestireno expandido (EPS) e polipropileno (PP), entre 21 tipos de polímeros distintos.
As concentrações variaram de 0 a 3483,4 MP/kg, com pontos críticos no Paraná, Sergipe, São Paulo e Pernambuco. A Praia de Barrancos, no Pontal do Paraná, lidera o ranking de contaminação, seguida pela orla de Olinda (PE) e pela Praia da Guilhermina (SP).
Praias localizadas nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão e Pará apresentaram a predominância de polímeros considerados mais perigosos. Esta informação é relevante para a identificação de áreas que demandam atenção prioritária.
O trabalho recebeu financiamento de R$1.015.000,00 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Este estudo é fundamental para a formulação de políticas públicas de gestão costeira no país, fornecendo dados para ações de mitigação.
