Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução/Canva Education)
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Estudo da Unifal-MG detecta níveis de HPAs acima do esperado em bombeiros durante incêndios florestais

Uma pesquisa conduzida na UNIFAL-MG avaliou a exposição ocupacional de bombeiros militares a agentes nocivos durante o combate a incêndios florestais. O estudo identificou níveis elevados de contato com substâncias potencialmente cancerígenas.

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Rafael Araújo Silva – autor do estudo, com a professora Isarita Sakakibara, orientadora. (Foto: Arquivo/Rafael Silva)

Os resultados indicam níveis elevados de exposição a Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs). Esses compostos químicos são formados durante a combustão incompleta de materiais orgânicos, como madeira, vegetação, carvão, petróleo e combustíveis fósseis.

Tais compostos apresentam potenciais implicações para o risco de câncer e para o funcionamento dos sistemas nervoso e respiratório. A pesquisa integra a dissertação de mestrado “Avaliação da exposição ocupacional à fumaça de incêndios florestais em bombeiros militares de Belo Horizonte-MG”.

O estudo foi elaborado por Rafael Araújo Silva no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. A orientação foi das professoras Isarita Martins Sakakibara e Maria José Nunes de Paiva.

Segundo Rafael Silva, o caráter inovador da pesquisa reside no fato de ser pioneira no Brasil. Ela avaliou a exposição de bombeiros florestais à fumaça de incêndios por meio da estratégia de biomonitoramento. Não havia publicações nacionais específicas sobre esse grupo profissional.

O pesquisador destaca que os resultados trouxeram novas perspectivas. Embora a atividade de bombeiro tenha sido reclassificada como carcinogênica, faltavam dados quantitativos sobre a magnitude da exposição no Brasil.

Para o autor do estudo, a pesquisa comprova que os níveis de exposição a HPAs em bombeiros brasileiros estão entre os mais elevados já relatados na literatura científica internacional. Os achados indicam que os limites de exposição ocupacional podem não ser suficientes.

Cem por cento dos bombeiros do grupo operacional apresentaram valores acima dos níveis de referência. Esta condição está relacionada aos danos ao DNA identificados no estudo, sugerindo a necessidade de revisão dos limites atuais.

Relevância Social e Próximos Passos da Pesquisa

A pesquisa apresenta relevância social, pois seus resultados reforçam a necessidade de medidas de proteção mais eficazes para esses profissionais. Ela fornece subsídios científicos para a formulação de políticas públicas voltadas à saúde ocupacional nos Corpos de Bombeiros.

Rafael Silva destaca: “Proteger a saúde de quem nos salva é um dever da sociedade. Além disso, com o aumento dos incêndios florestais associado às mudanças climáticas, esse tema se torna cada vez mais crucial para a saúde pública global”.

A pesquisa consistiu em um estudo transversal, observacional e descritivo. Envolveu a aplicação de questionários, coleta de amostras de urina e análises toxicológicas de 145 bombeiros militares de Belo Horizonte.

Gráfico sintetiza os resultados do estudo sobre a exposição ocupacional de bombeiros militares a agentes nocivos. (Imagem: Reprodução/Artigo)

Os participantes foram distribuídos em dois grupos: operacional e administrativo. Conforme o autor, os próximos passos do estudo incluem a ampliação da área de investigação e a realização de estudos de coorte.

Estes estudos visam o acompanhamento longitudinal dos mesmos bombeiros, com avaliação da evolução da saúde. Também se planeja o desenvolvimento de pesquisas sobre a eficácia de diferentes tipos de proteção respiratória.

O estabelecimento de parcerias com grupos de pesquisa no Brasil e no exterior também está nos planos. O objetivo é aprofundar as discussões sobre o tema e expandir o conhecimento na área.

O trabalho contou com apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), por meio da Assessoria de Assistência à Saúde (AAS), ofereceu apoio institucional.

A pesquisa também recebeu apoio da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP/USP). Este apoio viabilizou a realização das análises no Laboratório de Toxicologia Analítica e de Sistemas.

Assinam o artigo com Rafael Silva, Isarita Sakakibara e Maria José Paiva, os pesquisadores Elizeu Chiodi Pereira e Kelly Polido Kaneshiro Olympio, ambos da USP.

Acesse o artigo na íntegra: “Human biomonitoring and risks of hazardous occupational exposure to polycyclic aromatic hydrocarbons in wildland fires: a critical review”

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