Em novo episódio do IdPesquisa, Bruno Sotto-Maior fala sobre perdas dentárias, reconstituição óssea e técnicas de reabilitação oral (Foto: Carolina de Paula)
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UFJF investiga causas de perdas dentárias no Brasil

Pesquisas recentes indicam que uma parcela significativa da população brasileira necessita de próteses dentárias. De acordo com o relatório de 2025 da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), coordenada pelo Ministério da Saúde (MS), cerca de metade dos adultos entre 35 e 44 anos apresenta essa necessidade.

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Entre os idosos, a demanda é ainda maior: 70% da faixa etária de 65 a 74 anos necessita de intervenção protética. Diante desse cenário, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) desenvolve ações de ensino, pesquisa e extensão para abordar a questão da saúde bucal.

O cirurgião-dentista e professor da Faculdade de Odontologia da UFJF, Bruno Sotto-Maior, coordena algumas dessas iniciativas. Ele foi o convidado do 22º episódio do IdPesquisa, programa que aborda temas relevantes da pesquisa universitária.

Além do atendimento clínico, o professor Sotto-Maior coordena o Grupo de Pesquisa e Estudo em Reabilitação Oral da UFJF. Este grupo realiza estudos clínicos e experimentais focados em próteses, materiais restauradores e implantodontia.

Ele também é responsável pelo Programa de Extensão em Reabilitação Oral. Este programa integra ciência, prática clínica e formação profissional para oferecer atendimento preventivo e curativo à comunidade.

A reabilitação oral abrange procedimentos para reconstruir dentes danificados ou reabilitar a cavidade bucal. Segundo a UFJF, o objetivo é restaurar a estética, a fonética e a capacidade mastigatória dos pacientes, contribuindo para a recuperação da autoestima e do convívio social.

Muitos pacientes que procuram os serviços de reabilitação oral possuem um histórico de dificuldades no acesso ao tratamento odontológico. As iniciativas lideradas pelo professor Sotto-Maior envolvem professores, alunos de graduação e pós-graduação.

Esses profissionais trabalham para aprimorar técnicas e protocolos clínicos. O objetivo é reduzir as desigualdades no acesso à saúde bucal e garantir um cuidado mais abrangente para a população.

O Brasil registra um alto índice de edentulismo, que é a condição de perda dentária. De acordo com o pesquisador, esse índice aumentou após a pandemia de Covid-19, com maior incidência de fraturas dentárias devido ao estresse e ansiedade, que geram bruxismo e apertamento muscular.

Essa situação representa uma questão de saúde pública. Sotto-Maior destaca a importância da reabilitação oral por meio de próteses dentárias, com foco em estudos e inovações em implantes, incluindo os tipos “curtos”, “extracurtos”, “imediatos” e “de cerâmica”.

Implantes imediatos

Lucas Henriques, doutorando e integrante do Grupo de Pesquisa e Estudo em Reabilitação Oral desde 2018, foca em técnicas de implantes dentários imediatos. Nestes procedimentos, a instalação dos implantes ocorre em um único passo cirúrgico, evitando que o paciente fique sem dente.

A pesquisa de Henriques avalia qual técnica promove a melhor formação de osso e tecido gengival. O objetivo é garantir a qualidade óssea ao redor do implante e a longevidade do tratamento. Este trabalho é desenvolvido em pacientes atendidos nas clínicas da Faculdade de Odontologia da UFJF.

Os pacientes recebem extrações dentárias com indicação para implantes rápidos, acompanhamento completo e reabilitação, sem custos. “Temos a intenção de simplificar a técnica de implantes imediatos”, afirma Henriques.

Entre os objetivos, estão a redução da quantidade de materiais utilizados, tornando a cirurgia menos invasiva e com recuperação mais rápida. Além disso, busca-se baratear os custos, tornando o tratamento mais acessível à população.

Henriques também visa padronizar o acompanhamento pós-cirúrgico e a reabilitação. Isso permite que clínicos não especialistas possam oferecer o tratamento mais adequado aos pacientes.

Outros tratamentos

Existem pacientes que não podem receber implantes, como aqueles com doença renal crônica (DRC), sejam transplantados ou em hemodiálise. A dentista Lídia Martins pesquisa o perfil epidemiológico e microbiológico dessa população.

Lídia, aluna de doutorado orientada pelo professor Márcio Falabella, também integra o grupo de pesquisa coordenado por Sotto-Maior. Ela investiga a saúde e as doenças orais nessa população para identificar padrões de ocorrência, fatores de risco e a ação de microrganismos, especificamente bactérias coletadas na gengiva.

Segundo Lídia, mapear esse perfil é crucial para um tratamento mais eficaz, pois a maioria desses pacientes é imunossuprimida. “Esses pacientes têm doença periodontal. Sabendo quais bactérias estão causando isso, baseado no perfil de cada um, podemos evitar medicações desnecessárias e sermos pontuais às suas necessidades”, explica.

Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, Lídia iniciará a fase prática de seu trabalho. A coleta de materiais será realizada no Hospital Universitário (HU) da UFJF, e a análise microbiológica na Faculdade de Farmácia.

Posteriormente, será oferecido tratamento e suporte odontológico na Faculdade de Odontologia. Serão necessários 60 pacientes, e os tratamentos incluirão raspagem periodontal, antibioticoterapia e acompanhamento.

Assista ao 22º episódio do IdPesquisa, disponível no YouTube e Spotify.

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