Serra do Espinhaço antes da exploração mineral. Créditos: Frank Alison de Carvalho
O pesquisador Frank Alison de Carvalho, técnico em Hidrologia no Centro de Estudos em Geociências do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da UFVJM em Diamantina, apresentou os primeiros resultados de sua pesquisa de doutorado.
O estudo foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal (PPGCF) da UFVJM, sob a orientação do professor Israel Marinho. A pesquisa aborda a exploração de quartzito na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.
Segundo o pesquisador, a pesquisa visa apresentar o problema da exploração e, posteriormente, demonstrar a possibilidade de convivência com a atividade. Ele ressalta que a exploração é permitida pela legislação, mas exige ações do empreendedor para minimizar a degradação.
“Apresentado o problema, a pesquisa pretende mostrar que há sim metodologias adotáveis para a avaliação do impacto e apresentação de proposições para intervenções em locais menos visíveis e, ainda, metodologias de mitigação do impacto que podem ser aplicadas antes, durante e pós atividades de exploração, abarcando vias de acesso, frente de lavra e áreas de deposição de rejeitos/estéreis”, afirma o pesquisador.
Atualmente, Frank pesquisa o desenvolvimento de metodologia para recuperação de fachadas verticais de áreas de exploração. Este trabalho é realizado junto ao Laboratório de Biocombustíveis da UFVJM, coordenado pela professora Lilian Pantoja.
De acordo com a UFVJM, o processo envolve estudos e testes com microrganismos de áreas de exploração de rochas quartzíticas. O objetivo é desenvolver materiais e métodos para a recuperação de fachadas verticais resultantes da exploração por corte com fio diamantado.
O pesquisador destaca a importância da participação dos mineradores no processo. Ele afirma que são eles os detentores do direito minerário, responsáveis pelo licenciamento ambiental, execução da exploração e recuperação das áreas degradadas.
Para Frank, um bom trâmite com todos os envolvidos é essencial. O objetivo final da pesquisa é oferecer um estudo que sugira a continuidade do desenvolvimento com o menor impacto possível e proponha medidas para a recuperação de áreas degradadas.
A pesquisa considera a legislação vigente, que permite a exploração de rochas ornamentais na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. É necessário adequar e aplicar a legislação ambiental para enquadrar as atividades minerárias em suas classes de impacto ambiental.
Isso implicaria na identificação dos impactos e na proposição de ações de mitigação ou compensação. Tais ações devem estar alinhadas com a realidade de empreendimentos dessa natureza.
Caminhos para uma mineração mais responsável
Serra do Espinhaço sendo explorada. Créditos: Frank Alison de Carvalho
A pesquisa indica medidas para reduzir os impactos da extração de quartzito na região. Entre as recomendações estão estudos de impacto mais detalhados e específicos para cada área, evitando a repetição de documentos anteriores.
Outra recomendação é a avaliação integrada dos empreendimentos minerários da região. Isso considera os efeitos cumulativos das diversas frentes de exploração, que frequentemente estão próximas umas das outras.
O estudo também enfatiza a importância do Plano de Fechamento de Mina (PAFEM). Este plano deve ser elaborado desde o início do empreendimento, com planejamento de longo prazo e fiscalização contínua.
Um dado da pesquisa revela que apenas 25% do material extraído tem aproveitamento comercial. O restante forma pilhas de rejeito que, devido à coloração esbranquiçada, são visíveis a até 10 quilômetros de distância, impactando a paisagem.
Para mitigar esses impactos, a pesquisa propõe metodologias de recuperação ambiental adaptadas à realidade local. Isso inclui técnicas já estabelecidas pelo professor Israel Marinho para áreas horizontais.
Além disso, a pesquisa busca desenvolver uma abordagem inovadora para recuperar as fachadas verticais resultantes da exploração. O objetivo é simular a coloração natural do ambiente, sem usar soluções artificiais ou espécies exóticas.
A pesquisa também ressalta a necessidade de maior envolvimento do poder público. Isso inclui o acompanhamento das atividades e a gestão da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CEFEM).
De acordo com a UFVJM, este recurso pode contribuir para diminuir a dependência econômica da região em relação à mineração.
Trajetória acadêmica e compromisso regional
Margem direita do Rio Paraúna, próximo à Gouveia. Créditos: arquivo pessoal / Pesquisador Frank Alison
Frank é graduado em Engenharia Civil e concluiu seu mestrado na UFVJM, no Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Ambiente. Seu mestrado abordou o reaproveitamento de resíduos de exploração de quartzo na região de Gouveia (MG).
Na ocasião, ele desenvolveu um concreto de bom desempenho e baixo custo para uso em edificações destinadas à população de baixa renda. Segundo o pesquisador, o material também pode ser aplicado em outras obras civis.
Para Frank, as universidades, especialmente a UFVJM, desempenham um papel fundamental como agentes imparciais. Elas podem propor soluções que contemplem todas as partes envolvidas nas questões ambientais, sociais e econômicas da região.
“A UFVJM tem, dentro da sua área de abrangência, condições de propor soluções para diversas questões que ainda não foram percebidas pelos demais agentes envolvidos. O potencial de pesquisa e inovação da universidade pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha e seu entorno em diversas áreas, desde que haja mais recursos para viabilizar esses projetos”, destaca o pesquisador.
Por Diretoria de Comunicação Social
