O Museu de Cultura Popular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apresenta a exposição “Portugal feito a mãos”, destacando cerâmicas portuguesas. A mostra, que é a primeira do ano de 2026, explora o ceramismo lusitano e sua influência no artesanato brasileiro. A exposição está aberta ao público até o dia 30 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, com entrada gratuita.
Serão exibidas mais de 40 peças, incluindo cerâmicas cruas, pintadas e esmaltadas. Algumas dessas peças foram doadas ao acervo do Museu pelo consulado português na década de 1980. As obras retratam o cotidiano do povo lusitano, com objetos decorativos como oratórios, pratos e santos, além de utensílios domésticos como botijas, fogareiros e cantis.
A exposição também celebra a identidade portuguesa através do Figurado, uma forma de arte popular que combina fantasia, história e criatividade em barro. Cada peça do Figurado é feita à mão, com cores vivas e esmaltes cerâmicos que conferem um brilho singular. O Figurado tem origem na olaria, utilizando sobras de barro para criar pequenas figuras lúdicas e personagens do cotidiano.
Entre os destaques da exposição estão as criações da ceramista portuguesa Rosa Ramalho, representante do Figurado de Barcelos. Ela utilizava o barro para representar animais, seres mitológicos e cenas do cotidiano regional e devocional. Peças como o “Oratório”, “Castiçal em formato de pombal” e “Santo Antônio” estarão em exibição.
As obras de Rosa Ramalho são caracterizadas pela contraposição entre formatos simples e pormenores pitorescos, além de colorações que variam entre o ocre monocromático e o colorido. A presença das letras R.R. é uma marca registrada da figurista. De acordo com a UFJF, os trabalhos de Rosa Ramalho foram notados em uma feira pelo pintor António Quadros, elevando o status dos barristas de Barcelos.
Também serão expostas obras de José Moreira, conhecido como embaixador da arte barrística de Estremoz. A produção de peças dessa região possui mais de três séculos de existência e é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2017. Algumas das obras de Moreira incluem “Os três Reis”, “Mulher a cavalo” e “Militar”.
Os “bonecos de Estremoz”, como os criados por José Moreira, surgiram da necessidade espiritual do povo de ter imagens de devoção em casa. As pessoas moldavam e produziam suas próprias imagens, como presépios e figuras de santos. Essa prática se expandiu para a criação de figuras típicas e representações do dia a dia.
O público poderá ainda contemplar diferentes representações do “galo português”, um dos símbolos de Portugal, referente ao Galo de Barcelos. A figura tem origem em uma lenda medieval sobre um peregrino salvo pela intervenção de um galo assado que cantou. O Galo de Barcelos representa boa sorte, fé, honra e a identidade cultural portuguesa.
De acordo com Victor Dousseau, conservador e restaurador de bens culturais do Forum da Cultura da UFJF, a exposição permite identificar elementos, cores e formatos presentes na arte popular brasileira. Ele afirma que a mostra proporciona uma “viagem até Portugal e às nossas próprias ancestralidades” no centro de Juiz de Fora.
Mais sobre o figurado português
A produção do figurado em Barcelos e outras localidades iniciou-se como atividade subsidiária da olaria. As pessoas aproveitavam os espaços nas fornalhas para moldar pequenas porções de barro com objetivo lúdico. Essa prática se tornou uma tradição, passando por gerações. Rosa Ramalho, por exemplo, teve seus trabalhos notados em uma feira, o que contribuiu para que os barristas de Barcelos obtivessem status de artistas.
A artista Rosa Ramalho, que ficou internacionalmente conhecida perto dos 70 anos, continuou moldando peças de barro até quase os 90 anos. Suas criações ajudaram a levar o figurado das feiras para lojas, museus e galerias de arte, consolidando a importância cultural e artística dessa tradição.
Museu de Cultura Popular – UFJF
O Museu de Cultura Popular possui um acervo de mais de 3 mil peças, sendo um espaço para a preservação e valorização da arte popular. O acervo inclui estatuárias, artefatos indígenas, brinquedos antigos e peças de crenças religiosas, oferecendo uma visão de diferentes culturas.
As peças do museu, de natureza singular, promovem um intercâmbio cultural entre pessoas e diferentes culturas. O museu foi criado em 12 de março de 1965, em homenagem ao centenário do folclorista Lindolfo Gomes. Foi transferido para o Forum da Cultura em 1973 e doado à UFJF em 30 de setembro de 1987.
Sua origem está no trabalho do Professor Wilson de Lima Bastos, que criou o então “Museu do Folclore”, posteriormente renomeado como “Museu de Cultura Popular”. O museu abriga objetos da cultura nacional e também de culturas estrangeiras, proporcionando uma experiência educativa e cultural aos visitantes.
Forum da Cultura
O Forum da Cultura, localizado em um casarão centenário na rua Santo Antônio, 1112, Centro, é o espaço cultural mais antigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Com mais de cinco décadas de atividade, o Forum promove diversos segmentos de manifestações artísticas.
O espaço oferece oportunidades para artistas iniciantes e consagrados divulgarem seus trabalhos. O Forum da Cultura desempenha um papel importante na comunidade, facilitando o acesso à arte e à cultura para o público em geral.
