O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm/UFJF) inaugurou a exposição “Museu de Arte Murilo Mendes – Entre tempos: 20 anos de acervo”. A mostra celebra as duas décadas do museu, completadas em 20 de dezembro, e apresenta obras de arte contemporânea de seu acervo.
A seleção de obras destaca o crescimento contínuo do acervo, a coerência conceitual e a dinâmica de aquisição que caracterizam a história institucional do Mamm. A exposição pode ser visitada no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm/UFJF).
Desde sua fundação, o Mamm tem expandido e qualificado seu acervo musealizado. Este processo resultou em um conjunto sistematizado, equilibrado e coerente, alinhado ao seu planejamento conceitual, missão e objetivos.
A curadoria da exposição foi orientada pelas diretrizes conceituais da Política de Aquisição e Descarte de Acervos do Mamm. A mostra oferece ao público um panorama da diversidade de obras construídas pelo museu ao longo de 20 anos.
O acervo museológico do Mamm mantém um diálogo com o universo de Murilo Mendes, fundamentado na doação da biblioteca e na aquisição da coleção de artes plásticas do poeta. Uma das diretrizes para a incorporação de obras de arte inclui artistas que fizeram parte do universo colecionador de Murilo Mendes.
O artista Marcelo Grassmann é um exemplo dessa diretriz. Presente na Coleção Murilo Mendes, ele integra esta exposição com a obra “Cavaleiro e Mulher” (1954). Esta peça foi doada ao museu através de edital da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em 2024.
Ao longo dos anos, o museu incentivou a criação de trabalhos contemporâneos que dialogam com a vida e a obra do poeta por meio de exposições temporárias. O desenho de Nívea Bracher, criado para a mostra “Retratos de Murilo” em 2011, é um dos últimos trabalhos da artista.
Este movimento reafirma o papel do Mamm como espaço de experimentação e reflexão. Amplia, assim, suas potencialidades de preservação, pesquisa e difusão da arte. Há também um foco na produção artística local.
Este eixo, evocado pelo livro “A Idade do Serrote”, reconhece o espaço museológico como agente identificador. Ele se alinha tanto com Murilo Mendes quanto com a comunidade de Juiz de Fora, contribuindo para uma interpretação museológica da cidade.
A seleção de obras inclui trabalhos de Valéria Faria, Fernanda Cruzik e Fani Bracher. Além disso, há uma pintura de Dnar Rocha que retrata o antigo prédio da Faculdade de Filosofia e Letras (Fafile), onde funcionou o Centro de Estudos Murilo Mendes de 1994 a 2005.
Inspirado pelo poeta que se declarava “contemporâneo de si mesmo”, o acervo em exposição privilegia a diversidade geracional e a representação da arte brasileira e estrangeira. A seleção demonstra um museu atento às múltiplas linguagens artísticas.
A mostra também considera a pluralidade de vozes, origens e contextos que constituem seu conjunto de artes plásticas. Nesse sentido, a exposição reúne obras de Arlindo Daibert, Carlos Bracher, Flávio Shiró, Leonino Leão, Marco Magalhães, Maurício Bentes e Toz.
Essas obras compõem um panorama de poéticas diversas, promovendo o diálogo entre diferentes gerações e territórios. O Mamm reafirma seu compromisso com a representatividade de narrativas e experiências que formam o complexo tecido da arte.
A exposição destaca o lirismo gestual de Manabu Mabe, a força expressiva de Maria Lídia Magliani, o rigor gráfico de Renina Katz, a conexão nortista de Emmanuel Nassar, os elementos sacros de Hélio Siqueira, a recontextualização global de Vik Muniz e a natureza onírica de Heberth Sobral.
O Museu de Arte Murilo Mendes é um museu universitário, público e gratuito, vinculado à Pró-reitoria de Cultura (Procult/UFJF). Em seus 20 anos de história, consolidou-se como referência para a pesquisa sobre a vida e a obra de Murilo Mendes.
O museu também se tornou um espaço para reflexões sobre seus acervos e a produção artística contemporânea. Inaugurado em 20 de dezembro de 2005, ocupou o antigo prédio da Reitoria da UFJF.
Realizou exposições como “O poeta colecionador”, “Biblioteca Murilo Mendes, 30 anos: preservação e acesso”, “Via Del Consolato 6 – Roma: Italianos na Coleção Murilo Mendes”, “Contemplação de Ouro Preto”, “Aquisições Recentes: 2018.2021” e “Murilo Mendes: obra em movimento – Coleção Luciana Stegagno Picchio”.
De acordo com a UFJF, o museu também recebeu a itinerância de quatro edições da Bienal de São Paulo entre os anos de 2011 e 2019. Pelo Selo Mamm, publicou livros como o catálogo “Coleção Murilo Mendes: 25 anos”.
Outras publicações incluem “Murilo Mendes: o poeta brasileiro de Roma”, de Maria Betânia Amoroso, e “Ismael Nery e Murilo Mendes: reflexos”, de Marisa Timponi e Leila Barbosa. Este último foi finalista na categoria Teoria/Crítica Literária do 52º Prêmio Jabuti.
O Mamm está incluído no Cadastro Nacional de Museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), na tipologia Museu de Artes Visuais. Em 2018, o Ibram concedeu-lhe o selo “Museu Registrado”.
A coleção de artes plásticas de Murilo Mendes é considerada a maior coleção de arte internacional no estado de Minas Gerais. Isso posiciona o Mamm em um lugar de destaque não apenas na Região Sudeste, mas também no panorama museológico nacional.
