O projeto Vida após a Vida, da Faculdade de Medicina da UFMG, registrou 27 doações de corpos em 2025, o maior número desde sua criação. O total supera as 21 doações feitas em 2024, representando um aumento de 28,5%. Os cadastros de novos doadores também cresceram 16,3%, passando de 171 para 203 pessoas.
Segundo a coordenadora do projeto, Pollyana Policarpo, professora do Departamento de Anatomia e Imagem, a doação de corpos é essencial para a formação de profissionais da saúde. Ela afirma que, apesar dos avanços em modelos sintéticos, nada substitui a complexidade e as variações anatômicas de um corpo humano real.
Pollyana ressalta que essas diferenças são fundamentais para a prática médica e cirúrgica. “Isso possibilita que o médico treine em um corpo real antes de atender pacientes vivos. É crucial para evitar erros”, explica.
De acordo com a UFMG, a doação deve ser feita em vida pelo interessado, e a família pode autorizar também a doação de órgãos. A coordenadora reforça que a prática de compra de corpos é proibida no Brasil. O corpo doado pode ser utilizado por mais de dez anos, dependendo dos métodos de conservação.
O projeto, criado em 1999, já cadastrou cerca de 2 mil voluntários em 26 anos. Centenas já tiveram seus corpos encaminhados para estudos, beneficiando estudantes, médicos e pesquisadores da instituição.
Não há exigências específicas quanto ao estado de saúde do doador, mas uma entrevista é realizada para avaliar a decisão. Os interessados podem agendar pelo telefone (31) 3409-9739 ou acessar a página do projeto.
