Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) acompanhou 30 crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) que utilizaram óleo de canabidiol (CBD) por 24 semanas. O objetivo foi avaliar possíveis efeitos adversos e benefícios do tratamento.
De acordo com o médico Alysson Madruga de Liz, principal autor da pesquisa, os pais relataram melhora na agitação psicomotora e na sociabilidade dos pacientes. “Não há medicação aprovada que auxilie na sociabilidade de crianças autistas, então isso é um fator de impacto positivo”, afirmou Liz em entrevista ao jornal O Tempo.
O estudo, publicado na revista Clinical Neuropsychopharmacology and Addiction, utilizou um óleo com proporção de 14 partes de CBD para 1 de THC, fornecido pela Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Terapêutica (Abraflor). Dos participantes, 16 reduziram ou interromperam o uso de outros medicamentos, como risperidona.
Segundo os pesquisadores, os efeitos adversos observados foram aumento do apetite e, em alguns casos, nervosismo. Liz destacou, porém, a necessidade de estudos com maior número de participantes, já que o canabidiol ainda está em fase de testes para essa aplicação.
Um estudo israelense de 2021, citado como referência, mostrou que 49% das crianças autistas que usaram Cannabis tiveram melhora nos sintomas. A pesquisa catarinense reforça a importância de investigar tratamentos alternativos, já que não há farmacoterapias estabelecidas para os sintomas centrais do autismo.
Fernanda Alves de Araújo, mãe de um dos participantes, relatou que seu filho Mariano, hoje com 10 anos, voltou a falar após iniciar o uso do CBD aos 4 anos. “Ele não olhava no nosso rosto antes. O canabidiol o ajudou a ter mais estímulos sociais”, disse. A família alterna o uso do óleo com outros medicamentos conforme a necessidade.
Rafael Mariano de Bitencourt, coautor do estudo, ressaltou que muitas famílias já utilizam produtos à base de canabidiol de forma empírica. A pesquisa busca fornecer evidências científicas para orientar essas decisões terapêuticas.
