A Prefeitura de Congonhas solicitou a paralisação das atividades da Vale no município após dois vazamentos de lama nas minas de Fábrica e Viga. De acordo com o município, os alvarás de funcionamento da empresa foram suspensos. O pedido foi encaminhado ao governo de Minas Gerais, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre a medida.
Segundo o prefeito Anderson Cabido, a suspensão deve permanecer até que haja garantias sobre a segurança das estruturas minerárias. Ele afirmou que os incidentes causaram danos ambientais, incluindo erosão e assoreamento no Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba. A prefeitura aguarda uma resposta do governo estadual.
O governo de Minas emitiu uma nota reconhecendo os danos ambientais e determinou que a Vale adote medidas como limpeza das áreas afetadas e um plano de recuperação. A mineradora será autuada, mas não houve menção à paralisação das atividades.
Chuvas e responsabilidade
A Vale atribuiu os vazamentos ao excesso de chuvas na região. Segundo a empresa, o volume de precipitação nos últimos dias ultrapassou a média histórica para janeiro. O prefeito Cabido rebateu a justificativa, afirmando que as chuvas eram previsíveis e que a empresa deveria estar preparada.
O secretário municipal de Meio Ambiente, João Luís Lobo, explicou que a suspensão dos alvarás impede atividades econômicas da Vale, como a emissão de notas fiscais. A retomada das operações depende de medidas de compensação ambiental e laudos técnicos que comprovem a segurança das estruturas.
Acompanhamento federal
O Ministério de Minas e Energia determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) adote medidas urgentes para garantir a segurança das comunidades próximas às minas. Entre as ações estão fiscalizações rigorosas, possível interdição das operações e apuração de responsabilidades.
De acordo com a Vale, cerca de 220 mil m³ de água com sedimentos vazaram, mas não houve carreamento de rejeitos ou risco para a população. A empresa afirmou que as barragens da região permanecem estáveis e monitoradas.
A ANM esclareceu que não houve ruptura de barragens ou pilhas de mineração. As ocorrências estão sendo acompanhadas por equipes técnicas, e eventuais irregularidades serão apuradas conforme a legislação.
A CSN Mineração informou que áreas de sua unidade em Ouro Preto foram alagadas devido ao incidente na mina da Vale. Estruturas como almoxarifado e acessos internos foram atingidos, mas não houve danos a barragens ou necessidade de evacuação.
