A Prefeitura de Belo Horizonte e agricultores de hortas urbanas realizarão nesta sexta-feira (30) a Festa das Sementes. O evento promoverá a troca de sementes crioulas e agroecológicas, além de debater a organização do Banco Público de Sementes da cidade.
A atividade ocorrerá das 14h às 16h, no Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (CRESAN) – Mercado da Lagoinha, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 821, Lagoinha.
Este encontro inicial marca o início das atividades programadas para o ano. O evento visa proporcionar acesso a sementes e promover a troca de experiências entre os participantes.
Será apresentado um balanço das ações do Banco Público de Sementes nos últimos anos e discutidos os próximos passos. A pesquisa “Sentidos das Sementes da Agroecologia na Cidade”, realizada pela cientista socioambiental Livia Pereira, será apresentada.
Também serão detalhados o fluxo de entrega de sementes para o Banco Público de Sementes Crioulas e Agroecológicas e o regimento interno do Banco. Este regimento foi construído de forma participativa entre agricultores e técnicos da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte.
Sementes crioulas são variedades desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares, quilombolas, assentados da reforma agrária ou indígenas. Elas possuem características especiais reconhecidas por suas respectivas comunidades.
O trabalho de conservação dessas sementes, celebrado na sexta-feira, recebeu reconhecimento internacional. Em outubro de 2025, durante o Fórum Global do Pacto de Milão, na Itália, a Prefeitura de Belo Horizonte foi premiada.
O prêmio foi concedido na categoria “Produção de Alimentos” pelo projeto do Banco Público de Sementes Crioulas e Agroecológicas. O Pacto de Milão é uma rede global de cidades focadas em sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis.
A Festa das Sementes facilita a troca de material e imaterial, incluindo histórias e técnicas de plantio e armazenamento. “É onde o saber tradicional, essencial para a agroecologia, se revitaliza e se expande”, afirmou Ana Paula Ferreira, gerente de Fortalecimento da Agroecologia e Ações Estratégicas.
Ao integrar essas sementes ao Banco de Sementes, que funciona no Jardim Botânico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, o município fortalece a soberania alimentar. Este espaço tradicionalmente conserva sementes florestais e endêmicas.
A iniciativa promove a conservação e valorização da biodiversidade e da cultura alimentar. Busca-se garantir a conservação de variedades de espécies livres de contaminação genética, armazenadas em condições controladas e climatizadas.
Além disso, a ação fomenta a autonomia e o conhecimento dos agricultores urbanos. Segundo Ana Paula Ferreira, bancos comunitários de sementes são estratégias de conservação.
Nesses bancos, as sementes são catalogadas, armazenadas coletivamente e disponibilizadas aos agricultores. Isso fortalece a rede local e protege o patrimônio genético e cultural da região para futuras gerações.
“As sementes crioulas carregam a história e a experiência dos agricultores que chegaram a Belo Horizonte trazendo conhecimentos do interior e de outras regiões”, disse Ana Paula Ferreira.
Ela acrescenta que, ao preservar e multiplicar essas sementes, o município garante a conservação de espécies livres de transgenia. Essas sementes são mais adaptadas ao clima e ao solo locais, incentivando a troca de saberes e a continuidade de conhecimentos ancestrais.
