Uma doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular da Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi finalista do Prêmio Vozes da Ciência, em Curitiba, no Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, 11 de fevereiro. A iniciativa da Fundação Grupo Boticário visa estimular descobertas na área de cosméticos com impacto social positivo.
Eduarda Costa concorreu na categoria Captação de Talentos. Seu trabalho investiga o potencial de um composto presente no óleo essencial de cravo-da-índia para o desenvolvimento de cosméticos. O objetivo é a prevenção do envelhecimento da pele.
A premiação teve como tema central os Ciclos Femininos. O evento incentiva a produção de conhecimento que promova o bem-estar feminino e contribua para uma ciência mais inclusiva e diversa. O estudo de Eduarda aborda o envelhecimento, um desafio relevante no contexto de aumento da expectativa de vida.
A pesquisa, orientada pela professora Reggiani Vilela Gonçalves, do Departamento de Biologia Animal da UFV, foca em cosméticos e medicamentos que priorizam ativos naturais. De acordo com a UFV, a valorização de componentes naturais é um ponto chave para o desenvolvimento de produtos eficazes e sustentáveis.
Potencial antioxidante e anti-inflamatório
A pesquisa foi motivada pela necessidade de compreender os mecanismos moleculares envolvidos na inflamação, estresse oxidativo e envelhecimento cutâneo. Esses processos estão diretamente relacionados a doenças crônicas da pele e ao envelhecimento precoce.
Eduarda Costa explica que, “apesar do amplo uso de compostos naturais na dermatologia e na cosmetologia, ainda existe uma lacuna de conhecimento sobre como essas substâncias atuam em nível celular e tecidual, especialmente na proteção da pele contra agressões ambientais, como a radiação ultravioleta, e no processo de senescência”.
Segundo as pesquisadoras, o potencial antioxidante e anti-inflamatório do eugenol, composto do óleo essencial de cravo-da-índia, já era conhecido. No entanto, havia poucos estudos comparando o eugenol, o bis-eugenol e o óleo essencial como um todo.
Também havia ausência de dados sobre os efeitos do bis-eugenol em modelos mais complexos de pele humana. A inovação do trabalho reside na análise integrada desses compostos e na avaliação do bis-eugenol em modelos de pele submetidos a estressores relevantes, como radiação UV e senescência cutânea.
Os resultados demonstraram que o bis-eugenol apresenta forte atividade antioxidante e anti-inflamatória. O composto foi capaz de modular vias inflamatórias importantes e proteger estruturas cutâneas frente ao estresse oxidativo.
As descobertas abrem caminho para o desenvolvimento de novos produtos dermatológicos e cosméticos com efeitos fotoprotetores. Estes produtos seriam voltados à prevenção do envelhecimento cutâneo e à promoção da saúde da pele.
A professora Reggiani destaca: “Estamos avançando no desenvolvimento de novas tecnologias e ativos naturais para a dermatologia e a cosmetologia”. Para Eduarda, chegar à final de uma premiação que valoriza o uso sustentável da biodiversidade fortalece sua trajetória acadêmica.
Eduarda afirma que, “além de ampliar a visibilidade do trabalho desenvolvido na UFV, essa conquista reforça meu compromisso com uma ciência aplicada, interdisciplinar e conectada às demandas da sociedade”.
Meninas e Mulheres na Ciência
Eduarda e a professora Reggiani compartilham uma trajetória dedicada à valorização da presença feminina na ciência. Há três anos, elas coordenam um projeto voltado à capacitação de alunas do ensino médio na cadeia produtiva de fármacos a partir da biodiversidade brasileira.
A iniciativa vai além da formação técnica, incentivando meninas de escolas públicas a conhecerem o universo científico e a se aproximarem da pesquisa acadêmica. Professores e pesquisadores envolvidos no projeto capacitam estudantes de graduação e pós-graduação em temas relacionados ao desenvolvimento de insumos e fitoterápicos com bioativos de origem natural.
Por meio de workshops, palestras e atividades em escolas municipais e estaduais, a equipe apresenta a ciência por trás dos medicamentos produzidos com produtos naturais. O projeto também seleciona alunas interessadas em participar das pesquisas desenvolvidas na UFV.
Eduarda conclui: “Ver meninas se descobrindo cientistas é uma das experiências mais gratificantes do projeto. Acredito que ampliar o acesso à ciência desde cedo é fundamental para formar pesquisadoras mais confiantes e diversas, capazes de transformar realidades”.
O trabalho de Eduarda Costa contou com a coorientação do professor Robson Teixeira, do Departamento de Química da UFV. Parte da pesquisa foi desenvolvida no Plants for Human Health Institute, sob orientação do professor visitante da UFV Giuseppe Vallachi.
