A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) encaminhou nesta sexta-feira (20/2) uma representação ao Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando a suspensão da privatização da Copasa. O pedido visa interromper a assembleia de acionistas marcada para segunda-feira (23/2), que definirá os termos da venda da estatal.
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Tempo, a ação da parlamentar foi motivada pela renúncia de Hamilton Amadeo, ex-presidente do conselho da Copasa. Ele deixou o cargo após confessar envolvimento em um esquema de corrupção quando era CEO da Aegea, empresa do setor de saneamento interessada na compra da Copasa.
Bella Gonçalves integrou o grupo de deputados que bloqueou o projeto que eliminava a necessidade de referendo popular para a venda da empresa. Em nota, ela afirmou: “Já denunciamos o risco de captura da Copasa por interesses privados e a pressa do governo em empurrar uma privatização sob suspeitas graves.”
A representação aponta dois problemas no processo de privatização. O primeiro é a ligação de Amadeo com a Aegea, potencial compradora da Copasa. O segundo envolve o ex-presidente da estatal, Guilherme Duarte, e a gestora Perfin, que se tornou a maior acionista privada após sua saída.
Segundo o documento, a Perfin adquiriu 12,31% das ações da Copasa de forma acelerada, levantando suspeitas de uso de informações privilegiadas. A denúncia destaca ainda que Aegea e Perfin já atuaram juntas em outras privatizações, como a da Corsan no Rio Grande do Sul.
A Copasa foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. Em contato anterior sobre o tema, a empresa afirmou não ter conhecimento dos fatos, já que o caso está sob sigilo judicial, e manteve o cronograma de reuniões.
Contexto da renúncia
Hamilton Amadeo deixou a presidência do conselho da Copasa após a divulgação de sua delação à Polícia Federal. Segundo o portal UOL, ele admitiu liderar um esquema de propina durante seu período na Aegea, entre 2010 e 2018, com pagamentos estimados em R$ 63 milhões.
A Aegea possui diversos contratos de saneamento no país e era cotada como possível compradora das ações da Copasa. Em nota, a estatal mineira afirmou que os fatos relatados referem-se apenas à trajetória anterior de Amadeo e não à sua atuação na empresa.
